
Manatuto, Timor-Leste, 07 mar 2022 (Lusa) — José Naimori, lÃder máximo do partido KHUNTO foi claro e direto nos apelos aos apoiantes em Manatuto, leste de DÃli: a sua mulher, Berta dos Santos, pode fazer história e tornar-se a primeira mulher Presidente de Timor-Leste.
Com voz forte, a animar o público, Naimori — conselheiro máximo do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) – é uma das grandes forças da candidatura de Berta dos Santos, presidente do partido e atual vice-primeira-ministra.
Já com a chuva a cair, Berta dos Santos chega-se à frente no palco e, rodeada por várias mulheres, e com voz muito mais suave e pausada que o marido, agradece os apoios e pede o voto, acabando por, na prática, enumerar as competências do Presidente da República.
“Se me derem a confiança e me elegerem, a minha visão e missão é defender a constituição, promover a paz e o Estado de direito democrático”, explica.
“Vou promover o progresso e prosperidade para todo o povo. E precisamos de paz e estabilidade para conseguir um bom desenvolvimento nacional”; refere.
Ao sexto dia da campanha, parece mais confortável que nos primeiros e fala sem discurso escrito, algo que ocorreu nos primeiros comÃcios.
Ainda assim a sua intensidade contrasta com a de Naimori, que já tinha mostrado o seu talento para os comÃcios quando em 2018 fez campanha conjunta com Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak, na coligação Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), que ganhou as eleições, mas que, entretanto, se dissolveu.
Ao lado do palco principal em ´T´ com um pequeno pedestal na ponta, onde Berta dos Santos falou aos milhares de presentes, está um palco quase do mesmo tamanho para o grupo musical que vai animando o comÃcio.
E os apoiantes dançam, aos saltos em frente ao palco da música, em jeito de concerto, ou em rodas que se espalham pelos recintos, fazendo levantar sucessivas ondas de pó que se espalham com a ligeira brisa.
Nas mãos de muitos vão acenando bandeiras dominadas pelo verde do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), o partido que Berta dos Santos lidera e que apoia a candidatura da atual vice-primeiro-ministra.
Em algumas o sÃmbolo do partido está impresso à mão.
Várias vezes em pé, Naimori salta, dança no palco e depois, num outro momento do comÃcio, até canta os “parabéns” para um jovem dirigente do partido que hoje faz anos.
Mas os seus grandes recados são polÃticos, marcados por uma das frases da sua campanha: ‘feto forte, nação forte’ (mulher forte, nação forte) com que vinca a ideia de que esta pode ser “a primeira mulher Presidente da República.
“Dia 19 de março pode ser um dia histórico. Podemos ter a liderar o Estado uma mulher simples, que pensa no povo simples. A melhor Presidente para o paÃs”, disse.
“Vamos todos, toda a estrutura do partido, todos os apoiantes levar a mana Berta a Aitarak Laran”, afirmou, referindo-se ao Palácio Presidencial.
Presidente do partido e responsável por duas pastas no Governo — acumula o cargo de vice-primeira-ministra com o de ministra da Solidariedade Social e Inclusão — Berta dos Santos chegou, ao longo dos últimos meses, a tornar-se um quase ‘meme’ nas redes sociais.
Erros a dizer números, vários momentos em que se enganou em intervenções no parlamento ou noutros locais, levam a que muitos questionem a sua competência para o cargo.
Uma mensagem que o próprio Naimori tem contestado nos comÃcios de campanha, vincando a “dedicação ao povo e honestidade” da candidata e também sua mulher.
“Todos juntos temos que apoiar esta forma de lidar com honestidade com o povo. E o povo é simples, mas compreende”, afirmou.
“Temos que apoiar esta mulher forte para o paÃs avançar. Para cumprir o seu papel a bem do povo que luta e sofre. Porque o povo tem que ter dignidade, liberdade e bem-estar”, afirmou.
Em bom ritmo, o comÃcio acabou por ter um pequeno solavanco. A meio do programa, as informações cruzaram-se, surge a informação de que vai haver almoço e a multidão sai de ao pé do palco.
Um compasse de espera, com Naimori e Berta dos Santos na tribuna principal, e depois a música e o concerto a voltar a chamar a multidão.
Um pedido de declarações à Lusa, dos dois lÃderes, foi remetido para mais tarde.
A campanha decorre até 16 de março.
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