
Díli, 02 mar 2026 (Lusa) — O Presidente timorense condenou hoje a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, salientando que violam a carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, e a resposta de Teerão contra vários países da região.
“Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra um país não dotado de armas nucleares, bem como o assassinato do líder espiritual iraniano, constituem uma clara violação da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional”, afirmou José Ramos-Horta, em comunicado divulgado à imprensa.
No comunicado, o também prémio Nobel da Paz salientou que “não foi apresentado qualquer argumento claro de legítima defesa, nem foi demonstrada a existência de uma ameaça iminente contra aqueles países”.
“Estas táticas estabelecem um precedente alarmante, no qual países com maior capacidade militar passam a violar de forma sistemática o Direito Internacional e estabelecem também uma doutrina imprevisível, inconsistente e altamente personalizada nas relações internacionais. Tal apenas incentivará outros a agir da mesma forma”, disse o chefe de Estado timorense.
José Ramos-Horta também condenou os ataques do Irão contra interesses norte-americanos em vários países da região.
“Condenamos os ataques do Irão contra os Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Arábia Saudita. Estes países, alvo dos ataques iranianos, foram claros e firmes na sua oposição à utilização do seu território e do seu espaço aéreo para operações militares contra o Irão”, salientou o Presidente timorense.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
O Irão já confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Segundo a Cruz Vermelha iraniana, foram registados pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.
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