Taipé, 03 mai 2025 (Lusa) – O Governo de Taiwan afirmou hoje ter concluÃdo a primeira ronda de negociações com os Estados Unidos sobre “tarifas recÃprocas e outras questões económicas e comerciais”, adiantando que as reuniões decorreram em ambiente “franco e cordial”, segundo fontes oficiais.
Em comunicado, o Gabinete de Negociações Comerciais de Taiwan referiu que as conversações, que terminaram na quinta-feira em Washington, incidiram sobre direitos aduaneiros, barreiras comerciais e “várias formas de cooperação económica e comercial entre Taiwan e os Estados Unidos”.
“Ambas as partes expressaram a expectativa comum de reforçar a cooperação económica e comercial bilateral e manifestaram o seu desejo de criar mais oportunidades para o desenvolvimento industrial e económico de ambos os paÃses com base no benefÃcio mútuo”, afirmou a agência governamental, citada pela agência EFE.
Também “concordaram em continuar as consultas a curto prazo sobre várias questões, com o objetivo de procurar ativamente o consenso e explorar uma cooperação mais profunda”, refere o texto oficial, sem revelar detalhes especÃficos sobre o conteúdo das conversações ou os funcionários norte-americanos presentes.
Citada no comunicado, a vice-primeira-ministra de Taiwan, Cheng Li-chiun, sublinhou a confiança de que, através de um “diálogo contÃnuo e aberto baseado na compreensão mútua”, será possÃvel “consolidar o maior grau possÃvel de consenso” entre as duas partes.
Esta reunião presencial decorreu três semanas depois de os dois paÃses terem realizado uma primeira videoconferência sobre as “tarifas recÃprocas” anunciadas em 02 de abril pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, contra os principais parceiros comerciais de Washington, num montante de 32% para a ilha.
O Presidente de Taiwan, William Lai, propôs encetar negociações com os EUA com base na premissa de “tarifas zero”, seguindo o modelo do tratado México-EUA-Canadá.
De acordo com o presidente, Taipé “procurará reduzir o desequilÃbrio comercial” com Washington através da aquisição de energia, produtos agrÃcolas, bens industriais e armamento, bem como aumentar o investimento em território americano e “eliminar as barreiras comerciais não pautais”.
Se estas linhas de negociação falharem e os EUA impuserem direitos sobre os semicondutores – o principal ativo de exportação da ilha – ou reativarem as suas “tarifas recÃprocas”, o impacto na economia de Taiwan seria significativo e o Governo já admitiu que teria dificuldades em crescer acima dos 03%.
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