
Coimbra, 14 mar (Lusa) – A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, alertou hoje, em Coimbra, para a falta de informação microeconómica, apelando a uma resolução “urgente” dessa falha.
A informação microeconómica e setorial em Portugal “é muito fraca”, notou hoje Teodora Cardoso, referindo que, apesar de os bancos procurarem ser mais cuidadosos na avaliação do crédito à s empresas, acabam por ter pouca informação acessÃvel.
“Estamos muito concentrados na macroeconomia e quanto é que cresce o PIB [Produto Interno Bruto]”, criticou a presidente do CFP, que falava numa conferência do ciclo “Economia Hoje, Futuro Amanhã”, que decorreu no auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), com a participação de algumas dezenas de alunos.
Para Teodora Cardoso, Portugal continua a “estar muito longe do necessário”, em termos de qualidade de informação.
“Como é que a microeconomia funciona? Temos muito pouca informação a esse respeito e precisamos de melhorar isso. Portugal deve ser o único paÃs desenvolvido sem um instituto de investigação económica. Não tem instituto nem dados para o instituto trabalhar. É uma falha que precisa urgentemente de ser resolvida”, afirmou.
Segundo Teodora Cardoso, está-se sempre “a olhar para o PIB, que cada vez quer dizer menos” e cada vez menos “capta coisas muito importantes da qualidade de vida e do rendimento que se gera numa economia”.
Numa conferência onde centrou o discurso no percurso de Portugal antes, durante e depois da crise económica, a presidente do CFP apontou também para problemas como a demografia e o reflexo que o envelhecimento da população vai ter na economia, assim como na “má legislação” que há em Portugal.
“A legislação é má, para não dizer que é péssima”, sublinhou.
Segundo Teodora Cardoso, “há coisas que se substituem, outras que se acumulam e depois ficam buracos no meio disto tudo que são explorados e que não facilitam a vida de quem queira investir cumprindo a lei e fazendo as coisas como deve ser”.
Os tribunais, acrescentou, também “não ajudam, porque demoram imenso tempo a resolver coisas” que precisavam de outra celeridade.
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