
Maputo, 10 jul 2026 (Lusa) — O Banco de Moçambique identificou a tensão pós-eleitoral, a instabilidade militar em Cabo Delgado e os choques climáticos como principais vulnerabilidades que afetaram a estabilidade financeira do paÃs em 2025.
A avaliação, que integra o Relatório de Estabilidade Financeira de 2025 do banco central, refere que esse equilÃbrio foi condicionado pela pressão sobre as finanças públicas e pelos riscos de segurança em Cabo Delgado, norte do paÃs, “num perÃodo também marcado por tensões pós-eleitorais e pela exposição a choques climáticos”.
Os protestos que se seguiram durante cinco meses às eleições gerais de outubro de 2024 provocaram mais de 400 mortos e a destruição de empresas e património público, afetando a atividade económica em vários setores.
Sobre esse contexto polÃtico, o relatório do Banco de Moçambique refere que “os efeitos da tensão pós-eleitoral sobre a maioria dos setores de atividade influenciaram o desempenho da economia”, afetando a circulação de pessoas e bens, reduzindo o volume de negócios e contribuindo para o aumento do desemprego.
Em relação a Cabo Delgado, provÃncia rica em gás natural e afetada desde 2017 por uma insurgência armada que provocou mais de um milhão de deslocados, o Banco de Moçambique considera que a instabilidade e a insegurança continuam a prejudicar a distribuição de bens e a confiança dos investidores, travando a recuperação económica em vários distritos da provÃncia.
O banco central destaca os impactos dos ciclones Dikeledi e Jude, que provocaram destruição de infraestruturas públicas e privadas e agravaram os riscos para mutuários e instituições financeiras.
Apesar destas vulnerabilidades, o Banco de Moçambique conclui que o sistema financeiro moçambicano permaneceu estável, sólido e bem capitalizado ao longo de 2025, com o rácio de solvabilidade do setor bancário a atingir 28,14%, acima do mÃnimo regulamentar de 12%, e o Ãndice de risco sistémico a permanecer em nÃvel moderado.
A economia moçambicana cresceu o equivalente a 0,1% no primeiro trimestre de 2026, o segundo consecutivo de crescimento após um ano de quedas, anunciou anteriormente o Instituto Nacional de EstatÃstica (INE), nas contas trimestrais.
De acordo com o documento, esse ligeiro crescimento, 0,1% do Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm), que compara com a contração de 2,9% no primeiro trimestre de 2025, foi impulsionado pelo setor terciário, que cresceu 3,5%, “induzido” pelo ramo de Hotéis e Restaurantes com variação de 5,1%, seguido pelo ramo de Comércio e Serviços de Reparação com variação de 4,5%.
A economia moçambicana recuperou no último trimestre de 2025, invertendo quatro trimestres consecutivos de quebras, ao crescer 4,67%, mas fechou o ano com uma queda homóloga de 0,52%, segundo os dados anteriores do INE.
O PIBpm apresentou uma variação positiva de 4,67% no quarto trimestre de 2025, face ao mesmo perÃodo de 2024, acrescentando assim que “ao longo do ano registou-se melhoria económica, perfazendo um acumulado de -0,52%”.
A economia moçambicana inverteu um ano de quebras, desde os violentos protestos que se seguiram às eleições gerais de 09 de outubro de 2024.
No terceiro trimestre de 2025, ainda segundo o INE, o PIBpm recuou 0,85%, quando comparado com o mesmo perÃodo do ano 2024. Foram ainda registadas quedas no primeiro e segundo trimestres de 2025, respetivamente 3,92% e 0,94%, bem como no quarto trimestre de 2024, de 5,68%.
O último perÃodo anterior de crescimento económico registou-se antes das eleições, marcadas pela forte contestação social que se seguiu, no terceiro trimestre de 2024, de 5,58%.
Para 2025, o Governo previa um crescimento económico de 2,9%, já revisto em baixa, após 1,9% em 2024.
O Governo moçambicano cortou esta semana a previsão de crescimento económico de 2,8% para 0,59% em 2026, devido aos impactos das inundações de janeiro, avançando com um plano de reconstrução pós-cheias de 1.400 milhões de euros.
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