
Lisboa, 18 set 2024 (Lusa) — O perigo de incêndio rural vai começar a desagravar a partir de quinta-feira, dia em que são esperados aguaceiros, sendo mais prováveis nas regiões do Norte e Centro apenas na sexta-feira, disse a meteorologista PatrÃcia Gomes.
Em declarações à agência Lusa, a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), disse que a partir de hoje está prevista alguma entrada de humidade, as temperaturas vão baixar e estão previstos aguaceiros, que, no entanto, só vão chegar na sexta-feira às regiões do Norte e Centro, as mais afetadas pelos incêndios.
Segundo PatrÃcia Gomes, as temperaturas máximas vão começar a descer a partir da tarde de hoje, com uma variação de 04 a 06 graus Celsius, dependendo da região.
Também começará a haver uma ligeira alteração da massa de ar que afeta o território do continente.
“Estes dias mais quentes têm sido consequência de uma corrente de leste muito intensa que transporta um ar quente e seco e a partir da tarde de hoje o vento terá uma componente mais de oeste, ou seja acaba também por ter alguma humidade, mas que pode não chegar à s regiões do interior, pode ficar apenas na região do Litoral, mas ainda assim com alguma entrada de humidade”, afirmou.
De acordo com PatrÃcia Gomes, o tempo vai mudar a partir de quinta-feira, com o anticiclone a começar a deixar a sua influência.
“Vamos estar com uma depressão centrada a oeste da PenÃnsula Ibérica com um vale depressionário nos nÃveis médios e altos. Esta situação vai originar aguaceiros um pouco por todo o território, que poderão ser acompanhados de trovoada. Amanhã [quinta-feira] ainda estamos a falar no campo das probabilidades e a ocorrer serão essencialmente na região Sul, no interior do Alentejo e interior do Algarve”, indicou.
No entanto, segundo a meteorologista, na sexta-feira estão previstos aguaceiros que vão ocorrer também nas regiões do Norte e Centro.
Quanto à descida da temperatura, PatrÃcia Gomes exemplificou com a máxima de 29 graus para hoje em Aveiro, quando na sexta-feira são esperados 23.
“Tudo isto conjugado acaba por fazer com que o risco de incêndio comece a ter um desagravamento gradualmente. O parâmetro mais significativo não são as temperaturas. O mais significativo são a humidade e principalmente a intensidade do vento. As pessoas associam o aumento da temperatura com o risco de incêndio, mas este não é o parâmetro mais significativo para o risco de incêndio”, adiantou.
Sete pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas nos incêndios que atingem desde domingo as regiões Norte e Centro do paÃs, nos distritos de Aveiro, Porto, Vila Real, Braga e Viseu, e que destruÃram dezenas de casas e obrigaram a cortar estradas e autoestradas.
A área ardida em Portugal continental desde domingo ultrapassa os 62 mil hectares, segundo o sistema europeu Copernicus, que mostra que nas regiões Norte e Centro, já arderam 47.376 hectares.
O Governo declarou situação de calamidade em todos os municÃpios afetados pelos incêndios nos últimos dias e alargou até quinta-feira a situação de alerta, face à s previsões meteorológicas.
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