
Lisboa, 25 mai 2026 (Lusa) – A TAP tem cerca de 47% das necessidades de combustÃvel cobertas para 2026, ainda abaixo dos nÃveis de proteção de várias congéneres europeias, num contexto de pressão sobre os preços do combustÃvel de aviação.
O rácio indicado pela transportadora na apresentação dos resultados do primeiro trimestre fica ligeiramente acima dos 40% apontados pelo analista financeiro Nuno Esteves em dados enviados à Lusa em abril, mas mantém a companhia abaixo dos nÃveis de cobertura então identificados para várias congéneres europeias.
Nessa análise, a Air France-KLM surgia com uma cobertura próxima de 85% para os 12 meses seguintes, a Ryanair com 84%, a Lufthansa com cerca de 76%, a easyJet com uma média anual entre 65% e 70% e a IAG, dona da Iberia e British Airways, com 62%.
A cobertura de risco (‘hedging’) ganha relevância num contexto de tensão geopolÃtica no Médio Oriente, com os preços do petróleo e do ‘jet fuel’ pressionados pelo risco de perturbações nas rotas de abastecimento devido ao encerramento do estreito de Ormuz.
No documento divulgado hoje, a TAP refere que mantém “uma estratégia consistente” de cobertura de combustÃvel, baseada numa “implementação faseada”, procurando combinar previsibilidade de custos no curto prazo com flexibilidade perante a evolução das condições de mercado.
Segundo a companhia, “uma parte significativa da carteira de cobertura está estruturada através de estratégias com opções”, evitando um bloqueio integral dos preços e permitindo beneficiar de eventuais descidas futuras do preço do ‘jet fuel’.
A transportadora acrescenta que a sua estratégia de ‘hedging’ assenta na cobertura direta de combustÃvel de aviação, em vez de instrumentos indiretos ligados ao crude ou a outros produtos refinados”, o que considera “permitir uma mitigação de risco mais precisa e eficaz do que a normalmente observada na indústria”.
Apesar da cobertura existente, a TAP admite que o impacto dos preços do combustÃvel deverá pressionar os próximos trimestres, prevendo mitigar parte desse efeito através de medidas ao nÃvel das receitas e dos custos, incluindo ajustamentos de preços, gestão disciplinada da capacidade e controlo de custos.
A companhia refere ainda que “a dinâmica das reservas se mantém resiliente”, suportando nÃveis mais elevados de ocupação e melhoria das receitas unitárias, e que a estratégia para este ano continuará centrada nos mercados principais e na qualidade da receita, nomeadamente nas ligações à América do Sul e à América do Norte.
Na apresentação, a TAP sublinha igualmente que não tem exposição direta a zonas de conflito no Médio Oriente e que mantém medidas ativas de mitigação, incluindo planeamento e utilização flexÃvel da frota.
A companhia destaca também que 71% da frota Airbus é composta por aeronaves NEO, mais eficientes em consumo de combustÃvel, enquanto prossegue a modernização da frota conforme planeado.
Além da pressão sobre o combustÃvel, há ainda “desafios operacionais na implementação do sistema Entry/Exit [de controlo de fronteiras] nos aeroportos europeus”, segundo o presidente executivo, LuÃs Rodrigues, citado no comunicado de resultados.
No primeiro trimestre, a TAP reduziu os prejuÃzos para 39,9 milhões de euros, face à s perdas de 108,2 milhões registadas no mesmo perÃodo de 2025, impulsionada sobretudo pelo desempenho dos mercados da América do Sul e da América do Norte.
As receitas operacionais cresceram 11%, para 914,4 milhões de euros, sustentadas pelo aumento dos proveitos de passagens e pela melhoria das receitas unitárias, num contexto de crescimento da capacidade de 3,9%. A TAP destacou ainda o contributo da manutenção para terceiros, cujas receitas aumentaram 31,8% para 58,4 milhões de euros.
Entre janeiro e março, transportou 3,7 milhões de passageiros, mais 6,4% do que no perÃodo homólogo, e operou 27,3 mil voos (1,5%), com o tráfego a crescer acima da capacidade, permitindo uma melhoria da taxa de ocupação (‘load factor’) para 83,5%.
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