
Pequim, 30 jan 2026 (Lusa) — Taiwan afirmou hoje que adotará uma “abordagem prudente” na avaliação do impacto para a segurança regional da investigação de Pequim a Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC), o mais alto órgão dirigente do Exército chinês.
Em conferência de imprensa citada pela agência oficial CNA, o vice-presidente e porta-voz do Conselho para os Assuntos do Continente (MAC) — entidade responsável pelas relações com a China –, Liang Wen-chieh, referiu que existem duas interpretações “extremas” quanto à s implicações das investigações para uma eventual ação militar chinesa contra Taiwan.
“Alguns [analistas] sustentam que isto aumenta a probabilidade de um ataque chinês a Taiwan, enquanto outros defendem que torna menos provável uma ação de Pequim no curto prazo”, declarou Liang.
“A posição do nosso Governo é adotar uma abordagem prudente e manter plena preparação”, acrescentou, sem fornecer mais detalhes.
As declarações surgem dias depois de o ministério da Defesa da China ter anunciado uma investigação ao general Zhang Youxia e a Liu Zhenli, antigo chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da CMC, por “graves violações da disciplina e da lei” — fórmula comummente utilizada para descrever alegados casos de corrupção.
As investigações vieram abalar a estrutura de comando militar da China: dos sete membros da Comissão Militar Central em 2022, restam atualmente apenas dois: o Presidente chinês, Xi Jinping, que lidera o órgão, e Zhang Shengmin, vice-presidente e chefe da campanha anticorrupção no Exército.
Apesar disso, analistas citados pela imprensa internacional convergem na ideia de que as recentes purgas não alteram o objetivo estratégico de Xi Jinping de assumir o controlo de Taiwan, território com governo autónomo desde 1949, mas que Pequim considera parte “inalienável” do território chinês.
O ministério da Defesa Nacional (MDN) de Taiwan informou hoje que foi detetada uma nova “patrulha de preparação para combate” por parte do Exército de Libertação Popular da China, a terceira desde o inÃcio do mês.
A operação envolveu caças J-10 e J-16, aeronaves de alerta antecipado KJ-500 e veÃculos aéreos não tripulados (“drones”), e decorreu entre as 06:00 de quinta-feira (22:00 de quarta-feira, em Lisboa) e as 06:00 de hoje (22:00 de quinta-feira, em Lisboa).
No total, foram detetadas 26 aeronaves militares chinesas, das quais 19 cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan e entraram nas regiões norte, central e sudoeste da Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) de Taiwan.
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