Taiwan denuncia “perseguição política” da China contra ativista de Hong Kong Joshua Wong

Taipé, 04 set 2026 (Lusa) — Taiwan denunciou hoje a “perseguição política” do Partido Comunista Chinês (PCC) contra o ativista de Hong Kong Joshua Wong, que se declarou na quarta-feira culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras, crime punível com prisão perpétua.

Num comunicado, a porta-voz da Presidência taiwanesa, Karen Kuo, acusou o PCC e o Governo de Hong Kong de recorrerem a “instrumentos autoritários”, como a Lei de Segurança Nacional, imposta por Pequim em 2020, para “exercer uma perseguição política sem fim contra Joshua Wong e outras figuras democráticas” da antiga colónia britânica.

Na opinião da porta-voz, o caso “volta a demonstrar que a democracia, o Estado de direito e a independência judicial de Hong Kong continuam a ser erodidos”.

“Esta repressão política tornou-se um exemplo negativo para a comunidade internacional”, lamentou Kuo, que instou o PCC a “cessar imediatamente” a “repressão da dissidência” em nome da segurança nacional e a “pôr fim à perseguição e libertar as figuras democráticas detidas indevidamente”.

Wong, de 29 anos, admitiu perante o Tribunal Superior de Hong Kong a acusação de conluio com forças estrangeiras, num processo em que é acusado de conspirar com o ativista exilado Nathan Law e outras pessoas para solicitar a países estrangeiros sanções, bloqueios ou outras medidas contra Hong Kong ou a China durante 2020.

A acusação refere-se concretamente ao período entre 01 de julho e 23 de novembro de 2020, imediatamente após a entrada em vigor, em 30 de junho daquele ano, da legislação de segurança nacional, imposta por Pequim na sequência dos protestos antigovernamentais em massa que abalaram a cidade em 2019.

A declaração de culpa representa a segunda condenação de Wong ao abrigo daquela lei.

O ativista cumpre atualmente uma pena de quatro anos e oito meses de prisão por conspiração para subverter o poder do Estado, no chamado caso dos “47 de Hong Kong”, relacionado com as eleições primárias não oficiais organizadas pela oposição em julho de 2020.

Figura destacada do movimento pró-democracia desde que, aos 17 anos, participou nas manifestações de 2014, conhecidas como “Revolução dos Guarda-Chuvas”, Wong fundou, em 2016, juntamente com Nathan Law e outros ativistas, o partido Demosisto.

A formação anunciou a dissolução no mesmo dia em que entrou em vigor a Lei de Segurança Nacional, que criminaliza atos de subversão, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras.

As autoridades defendem que a legislação permitiu restabelecer a estabilidade em Hong Kong após os protestos de 2019, enquanto organizações de defesa dos direitos humanos e governos estrangeiros têm criticado o impacto da lei sobre as liberdades políticas e civis.

 

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