
Caracas, 13 jan (Lusa) – As autoridades suspenderam, hoje, as fiscalizações à s redes de supermercados da Venezuela, na sequência de um acordo que permite aos empresários ajustar, em alta, os preços dos produtos que tiveram de baixar, gerando perdas elevadas.
O acordo foi possÃvel, segundo explicaram vários empresários à Agência Lusa, na sequência de uma reunião que teve lugar sexta-feira, na vice-presidência da Venezuela, com representantes da Superintentência de Defesa dos Direitos Económicos (Sundde), organismo que tinha imposto a descida de preços.
“Estamos um pouco mais tranquilos. Já se chegou a um acordo. Foram feitas revisões das cadeias de custos, do impacto dos salários e já foi aceite ter em conta as faturas (de compra), porque em dias anteriores impunham o preço que queriam, agora já aceitaram as nossas margens (de custos e de lucro) e preços”, explicou uma das fontes que esteve presente na reunião.
Segundo a mesma fonte, os supermercados estão a tentar voltar “à normalidade, ” mas há grandes dificuldades para fazer repor os ‘stocks’, “porque não existe tal quantidade de produtos no mercado e a distribuição é reduzida”.
“Repor os inventários vai ser difÃcil” frisou.
Os empresários dos supermercados tiveram apoio dos fornecedores e dos bancos, devido ao problema de “fluxo de caixa” que se gerou durante o tempo em que houve a descida forçada de preços.
Segundo a Unión Rádio, de momento não há informação quanto aos mecanismos que o Governo venezuelano implementará para ressarcir as perdas ocasionadas aos empresários.
No entanto, segundo vários empresários, foi feita a promessa de criar “notas de crédito”, cujo alcance, termos e propósitos não estão ainda definidos.
Alguns supermercados de Caracas estavam abastecidos de produtos agrÃcolas, mas não de produtos enlatados e charcutaria.
A 5 de janeiro último a Sundde obrigou 214 sucursais de 26 redes de supermercados a baixar os preços dos produtos para valores inferiores aos comercializados no princÃpio de dezembro.
A medida afetou, entre outras, as redes de supermercados Central Madeirense, Unicasa, Plazas, Excelsior Gama, Luvebras, todas elas propriedade de portugueses radicados na Venezuela.
Dois dias depois, o presidente do Centro Português de Caracas, Rafael Gomes, queixou-se ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva da “indiferença” e tardia reação de Lisboa à s preocupações da comunidade.
Foi também feito um alerta ao ministro português para que fosse “porta-voz, junto do Governo venezuelano”, das queixas da comunidade portuguesa nomeadamente “pelos maus-tratos” de que se dizem vÃtimas há muito tempo e “pelo flagelo da insegurança”.
“Os cidadãos portugueses que são sequestrados, expropriados, nos seus negócios ou empresas, sentem a solidão, a falta de apoio e ajuda, porque Portugal nunca se pronuncia”, disse.
A 10 de janeiro último, após um encontro com o Presidente Nicolás Maduro e ao terminar uma visita de quatro dias à Venezuela, o chefe da diplomacia portuguesa anunciou que Caracas iria “criar um canal de comunicação com a embaixada de Portugal em Caracas para dar resposta à s preocupações, dificuldades e necessidades da comunidade”.
“No encontro que tive oportunidade de ter com o Presidente [venezuelano], Nicolás Maduro, estabelecemos, de comum acordo, um canal de comunicação permanente (…) através do qual se possam transmitir imediatamente à s autoridades venezuelanas as preocupações, as dificuldades, as necessidades, mas também as propostas da comunidade portuguesa”, afirmou Augusto Santos Silva.
Em declarações à Agência Lusa explicou que esse canal permitirá que “todas” as preocupações, dificuldades, necessidades e propostas dos portugueses “sejam consideradas, analisadas pelas autoridades venezuelanas para que em relação a todas elas haja uma resposta das autoridades venezuelanas”.
“E, portanto, combinamos que se fariam de imediato reuniões, designadamente por causa desta questão da imposição administrativa de preços”, disse, fazendo referência à situação dos supermercados de portugueses que foram obrigados, pelas autoridades, a baixar os preços.
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