Surto de ébola na RDCongo ainda sem vacina ou tratamento – Governo

Kinshasa, 16 mai 2025 (Lusa) – O ministro da Saúde da República Democrática do Congo (RDCongo) alertou hoje que a estirpe do vírus Ébola “tem uma taxa de mortalidade muito elevada” e acrescentou não existir ainda vacina nem tratamento específico.

A estirpe do vírus Ébola responsável pela epidemia em curso na RDCongo tem “uma taxa de mortalidade muito elevada”, disse o ministro da Saúde, Samuel-Roger Kamba, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Numa conferência de imprensa na capital congolesa, Kinshasa, o responsável acrescentou ainda: “Não existe vacina nem tratamento específico para combater esta variante, que tem uma taxa de mortalidade muito elevada, que pode chegar aos 50%”.

O surto de ébola na província de Ituri, no leste da RDCongo, já causou 80 mortos, de acordo com um comunicado do Ministério da Saúde congolês, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

“Foram reportados 246 casos suspeitos e 80 mortes, das quais quatro testaram positivo”, afirmou o ministro Samuel Roger Kamba Mulamba, num comunicado divulgado na sexta-feira, citado pela EFE.

A doença foi localizada nas cidades de Rwampara, Mongwalu e Bunia.

Análises realizadas pelo Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDCongo confirmaram até ao momento oito casos positivos de doença pelo vírus Ébola em 13 amostras recolhidas, correspondentes à estirpe Bundibugyo. As restantes cinco amostras não puderam ser analisadas devido ao volume insuficiente.

O Governo da RDCongo já ativou o Centro de Operações de Emergência, reforçou a vigilância epidemiológica em Ituri e adotou medidas urgentes, incluindo assistência médica gratuita, envio de equipas de intervenção rápida e controlo de fronteiras. As autoridades pediram à população para praticar uma higiene rigorosa e comunicar os sintomas sem entrar em pânico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou especialistas e cinco toneladas de material médico da capital, Kinshasa, para Bunia, de forma a reforçar a resposta na linha da frente.

Entretanto, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), da União Africana, ativou também uma resposta regional abrangente ao surto, alertando para o elevado risco de transmissão devido à “intensa movimentação” de pessoas ligadas à mineração e à proximidade com o Uganda, que já reportou um caso importado, e o Sudão do Sul.

A agência mobilizou equipas de emergência para centralizar a gestão de material médico e convocou uma reunião hoje com parceiros internacionais e a OMS para obter apoio político ao mais alto nível.

O último surto na RDCongo ocorreu no final de 2015, na província de Kasai (região centro), sendo este o 16.º no país desde que o vírus foi descoberto, em 1976.

Segundo a OMS, o ébola tem uma taxa de mortalidade entre os 60% e os 80%, é transmitido por fluidos corporais e provoca febre alta, fraqueza intensa e hemorragias graves.

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