
Genebra, SuÃça, 23 fev 2022 (Lusa) – Armas de fabrico suÃço estão a ser utilizadas em zonas de conflito como o Iémen ou o Afeganistão, apesar das leis do paÃs proibirem a exportação de armamento para paÃses em guerra, indica um relatório publicado hoje.
No documento divulgado pela Rádio Televisão SuÃça (RTS), em colaboração com o diário NZZ e com a organização Lighthouse Reports, são levantadas dúvidas sobre o destino das armas fabricadas pela SuÃça, o décimo quarto maior exportador mundial de armamento, segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo.
De acordo com a agência noticiosa espanhola Efe, os jornalistas viram vÃdeos e fotografias de conflitos nas redes sociais, analisando ao detalhe as armas visÃveis neles, e descobriram que soldados sauditas deslocados para a guerra civil no Iémen utilizam espingardas Sig Sauer 551, fabricadas no nordeste da SuÃça.
Este tipo de armamento foi entregue ao paÃs árabe em 2009 e o parlamento helvético chegou a debater, posteriormente, uma possÃvel suspensão das exportações para a Arábia Saudita, mas tal possibilidade foi recusada no ano passado.
No Afeganistão, o relatório confirmou que aviões suÃços Pilatus PC-12, inicialmente adquiridos pelos Estados Unidos, foram utilizados como veÃculos de reconhecimento para os bombardeamentos do exército afegão contra os talibãs. Estes poderão ter tomado o controlo de algum destes veÃculos depois da sua chegada ao poder em agosto passado.
Um ex-membro do Ministério da Defesa afegão assegurou aos meios de comunicação suÃços que estes aviões, não considerados armamento militar no paÃs europeu, eram utilizados para confirmar alvos de bombardeamentos contra os talibãs, embora em alguns desses ataques também tenha havido vÃtimas civis.
Por último, a investigação da imprensa suÃça mencionou a exportação de 30 veÃculos blindados Piranha para o Brasil, teoricamente solicitados para uma missão de paz no Haiti, mas que na realidade acabaram por ser deslocados para o combate aos traficantes de droga nas favelas do Rio de Janeiro.
Alguns dos tanques foram modificados com torres armadas e também causaram vÃtimas civis, denuncia o relatório.
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