
Cartum, 30 jul 2019 (Lusa) – Milhares de estudantes saÃram hoje à s ruas em Cartum e outras cidades do Sudão em protesto contra a morte de cinco estudantes, na segunda-feira, no centro do paÃs, segundo as agências internacionais.
A morte dos cinco estudantes, na cidade de Obeid, no Cordofão do Norte, centro do paÃs, levou à suspensão das negociações previstas para hoje entre o Conselho Militar e os lÃderes do movimento de contestação no Sudão.
Dois dos lÃderes do movimento, incluindo um dos negociadores, citados pela agência France-Presse, explicaram que se encontram em Obeid e que, por isso, as negociações de hoje não se realizarão.
Vários vÃdeos publicados “online” mostram milhares de jovens vestidos com uniformes escolares e de mochilas à s costas a marcharem nas ruas de Cartum e em outras localidades para denunciar a morte dos cinco estudantes.
O chefe do Conselho Militar, no poder, já condenou a morte dos cinco estudantes, classificando-a como “um crime inaceitável” que “não pode ficar impune”.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apelou à s autoridades para que “investiguem e levem à justiça todos os autores da violência contra as crianças”, indicando que os manifestantes mortos tinham entram 15 e 17 anos.
Os manifestantes acusam as Forças de Reação Rápida, dirigidas pelo número dois da Junta Militar que lidera o paÃs, Mohammed Hamdan Daglo, de ter disparado sobre a multidão que protestava contra a falta de pão e combustÃvel na cidade de Obeid.
Cinco estudantes foram mortos, na segunda-feira, durante uma manifestação pacÃfica na cidade de Obeid, no centro do Sudão, segundo um comité de médicos próximo do movimento de contestação sudanês.
O mesmo comité deu ainda conta de um número indeterminado de feridos.
O Sudão vive envolto num movimento de contestação desde dezembro de 2018, desencadeado pelo triplicar do preço do pão, mas que se transformou em contestação ao regime e levou à destituição, em abril, do Presidente Omar al-Bashir, após 30 anos no poder.
A contestação manteve-se para reclamar um Governo civil e melhores condições de vida para as populações mesmo depois da constituição de um Conselho Militar.
Em 17 de julho, os generais no poder e os lÃderes do movimento opositor concluÃram, após difÃceis negociações, um acordo sobre a criação de um Conselho Soberano composto por cinco militares e seis civis responsável por liderar o perÃodo de transição até à realização de eleições.
As duas partes retomam hoje as negociações para acordar alguns pontos em suspenso, segundo anunciou, no domingo, o mediador da União Africana para o paÃs, Mohamed al Hacen Lebatt.
Desde dezembro, a repressão da contestação causou 246 mortos, incluindo 127 manifestantes mortos em 03 de junho num acampamento em Cartum, segundo um balanço do comité de médicos divulgado antes das manifestações em Obeid.
As autoridades apresentam balanços divergentes e com números de mortos e feridos bastante inferiores.
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