Situação dos Direitos Humanos regrediu na Guiné-Bissau entre 2023 e 2024 — Liga

Lisboa, 31 mar 2026 (Lusa) — A situação dos Direitos Humanos regrediu “de forma transversal” na Guiné-Bissau entre 2023 e 2024, afirmou hoje o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé.

Turé falava na apresentação pública do relatório sobre a situação dos direitos humanos no país, transmitida nas redes sociais de órgãos de comunicação social guineenses, durante o encerramento da conferência internacional “Diálogo por um Futuro com Justiça, Direitos Humanos e Democracia na África Ocidental”, organizada em parceria entre a Liga Guineense dos Direitos Humanos e a Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP).

A conferência, que juntou organizações da sociedade civil guineenses e de alguns países da África Ocidental, decorreu, entre segunda-feira e hoje, na Casa dos Direitos, em Bissau, com financiamento da cooperação portuguesa, no âmbito de um projeto designado “Direitos Humanos em risco na Guiné-Bissau”.

Para Bubacar Turé, o relatório “revela, em última análise, uma realidade profundamente preocupante”, a partir do momento em que os direitos fundamentais dos cidadãos “deixaram de ser garantias e passaram a ser incertezas”.

O dirigente da Liga considerou a instabilidade governativa, que disse afetar o princípio da separação dos poderes de Estado, como um dos principais fatores da degradação da situação dos direitos dos cidadãos.

Bubacar Turé observou que, durante esse período (entre 2023 e 2024), a Guiné-Bissau foi marcada por detenções arbitrárias, espancamentos, raptos, práticas de torturas, maus-tratos em contextos de detenção e cerceamento da liberdade de expressão dos cidadãos.

“São práticas incompatíveis com princípios de Estado de direito que não podem ser toleradas”, sublinhou.

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos frisou que o país “não pode continuar a ser um espaço de medo”, onde o sistema judicial sofre constrangimentos que afetam a sua credibilidade e a sua independência.

Bubacar Turé notou que a impunidade aumenta no país também devido à limitação do funcionamento de tribunais de proximidade, situações que, afirmou, acabam por afetar sobretudo os mais vulneráveis, nomeadamente as mulheres e cidadãos portadores de deficiências.

O ativista dos Direitos Humanos destacou o facto de “muitas mulheres” em trabalho de parto ainda continuarem a morrer na Guiné-Bissau e de haver centros de saúde que funcionam sem condições de diagnóstico ou em condições precárias de atendimento.

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos enfatizou ainda que o acesso à água potável e energia elétrica continuam a ser “um luxo” para a larga maioria da população e destacou o papel das organizações da sociedade civil na promoção e defesa dos direitos dos cidadãos.

Bubacar Turé notou que o relatório hoje apresentado encontra uma “distância” entre os compromissos assumidos pelo Estado guineense no âmbito da Revisão Periódica Universal das Nações Unidas e a concretização das 224 recomendações deixadas em abril de 2025.

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