
Estrasburgo, França, 26 abr 2023 (Lusa) – As eleições na Turquia vão realizar-se em condições “muito difÃceis” devido ao “estado da democracia” no paÃs e à s consequências do terramoto de 06 de fevereiro, segundo o chefe dos observadores do Conselho da Europa.
O atual Presidente, Recep Tayyip Erdogan, no poder há 20 anos, vai candidatar-se a um novo mandato a 14 de maio, altura em que os turcos também elegem os deputados.
No inÃcio de março, o chefe de Estado decidiu manter ambas as eleições marcadas para 14 de maio, apesar do terramoto ter devastado cidades inteiras a 06 de Fevereiro e ter causado mais de 50.000 mortos no sudeste do paÃs.
O Conselho da Europa, que vigia o respeito pelos direitos humanos no continente, e do qual a Turquia é membro, vai enviar 42 deputados da Assembleia Parlamentar para observar a votação, disse à agência de notÃcias France-Presse (AFP) o chefe da delegação, o deputado alemão Frank Schwabe.
“As eleições estão a decorrer num contexto muito difÃcil devido ao estado da democracia. A situação dos direitos humanos, do Estado de direito, não é a que desejamos” no Conselho da Europa, um organismo que reúne 46 Estados, sublinhou.
A missão parlamentar regressou de uma primeira visita à Turquia no inÃcio do mês, durante a qual se encontrou com várias equipas de campanha, mas não com Erdogan.
Schwabe mencionou a liberdade de imprensa e “a possibilidade de os partidos polÃticos atuarem livremente e fazerem campanha de forma justa”.
“O Presidente tem, sem dúvida, um melhor acesso aos meios de comunicação social públicos”, observou.
O Governo tem sido criticado pelo ritmo lento da ajuda à s vÃtimas do terramoto.
Os desalojados, muitos dos quais se instalaram na capital Ancara, em Istambul ou em Mersin, na costa sul, tinham até 02 de abril para alterar a morada nos cadernos eleitorais. A oposição considerou o prazo demasiado curto.
“Muitas pessoas não puderam inscrever-se noutros locais nos cadernos eleitorais”, disse Schwabe. “No dia das eleições, esperamos que haja uma grande deslocação para as regiões de onde são originários”, acrescentou.
“Como é que isso vai acontecer, não sabemos: será que vão usar meios [de transporte] criados pelo Governo, talvez para apoiar apenas determinados partidos, não sabemos”, disse o alemão.
Outra preocupação é a identificação dos eleitores.
“Muitas pessoas morreram. Não sabemos realmente o que aconteceu aos seus bilhetes de identidade no final. Muitas pessoas estão desaparecidas. Ouvimos dizer que não sabemos realmente quantas pessoas morreram. É certamente uma questão preocupante, é algo que vamos analisar com muita atenção”, afirmou o deputado.
Há o risco de algumas pessoas usarem bilhetes de identidade das vÃtimas para votar. “Isso pode acontecer”, reconheceu Schwabe.
JMC // VQ
Lusa/Fim



