
Bruxelas, 09 mar 2021 (Lusa) — O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, referiu hoje que a União Europeia (UE) só irá apoiar a reconstrução da SÃria e levantar as sanções contra o regime de Bashar al-Assad quando houver uma “transição polÃtica” no paÃs.
“Exigimos uma SÃria segura para onde os refugiados possam regressar, uma verdadeira investigação sobre os desaparecidos — a Comissão pede a criação de um mecanismo internacional para localizar os desaparecidos ou os seus restos mortais, muitos deles em valas comuns — e a responsabilização dos responsáveis por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Até que isso aconteça, até que esteja a decorrer uma transição polÃtica, temos de manter a pressão, e não levantaremos as sanções, não haverá normalização nem apoios à reconstrução”, afirmou Josep Borrell.
O Alto Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e PolÃtica de Segurança falava numa sessão plenária do Parlamento Europeu (PE) dedicada ao décimo aniversário do inÃcio da guerra civil na SÃria.
Referindo que os 10 últimos anos foram anos de “tragédia, exÃlio, pobreza, destruição, tortura e desaparecimentos” para o povo sÃrio, Borrell salientou que, “apesar de cinco paÃses terem militares no paÃs” e de Bashar al-Assad contar com o “apoio militar da Rússia e do Irão”, o Presidente sÃrio “ainda não conseguiu ganhar” o conflito.
“Só uma solução polÃtica é sustentável e, ainda assim, o processo polÃtico estabelecido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas está bloqueado, completamente bloqueado”, apontou.
O chefe da diplomacia europeia culpou assim o regime de Bashar al-Assad de “bloquear qualquer discussão séria” sobre “eleições livres e justas”, tendo optado, pelo contrário, por organizar as “suas próprias eleições” em junho para se “assegurar de que ganha, passar a mensagem de que a SÃria está em paz, que a reconstrução deve começar e que as sanções devem ser levantadas”.
“Nada seria mais errado. A paz não é conquistada esmagando o povo, esmagando a oposição e travando uma guerra até que todo o paÃs esteja de joelhos. Na SÃria, 500 mil pessoas morreram, a economia está literalmente a colapsar, mais de metade da população deixou as suas casas, (…) os últimos dados sugerem que a taxa de pobreza é de 80%”, disse.
Assim, e sublinhando que o cenário sÃrio está a acontecer “à s portas da UE”, Borrell referiu que o bloco “não deve, não pode e não irá permitir que a SÃria seja esquecida” e informou, por isso, que, no dia 14 de março, irá copresidir à 5.ª Conferência de Bruxelas de Apoio ao Futuro da SÃria e da Região, em conjunto com as Nações Unidas.
“Temos de continuar a lutar por uma solução polÃtica genuÃna segundo a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Um processo polÃtico tem de ser levado a cabo, com a negociação de uma nova Constituição, eleições livres e justas, e a libertação dos presos polÃticos”, reiterou.
Nesse âmbito, Borrell sublinhou que a UE deve continuar a “prestar assistência” à população sÃria que tenha necessidades e que se encontre tanto no seu paÃs, como em paÃses fronteiriços, como a Jordânia, o LÃbano ou a Turquia, que “acolhem milhões de refugiados” e que “merecem o apoio” da UE.
Além disso, o chefe da diplomacia europeia referiu também que, desde o inÃcio do conflito, a UE já disponibilizou, em ajuda humanitária, 22 mil milhões de euros em assistência humanitária para “pessoas com necessidades dentro da SÃria, em apoio aos refugiados e aos paÃses que acolhem refugiados”.
“As necessidades são imensas e iremos apelar a que outros doadores também forneçam apoio, porque sozinhos não conseguimos fazer tudo”, sublinhou.
Josep Borrell informou ainda que a UE irá continuar a apoiar a sociedade civil sÃria, por ter uma “voz crucial” para perceber “o que está a acontecer” no paÃs e onde “residem as necessidades”.
“Trazem esperança para o futuro, para uma SÃria pacÃfica e diferente. Não podemos desiludi-los, não podemos desistir”, concluiu.
Josep Borrell falava no âmbito de um debate no PE que marcava o décimo aniversário do inÃcio da guerra civil SÃria.
Após o debate de hoje, os eurodeputados irão votar numa declaração sobre o mesmo tema na quinta-feira.
TEYA // EL
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