
Moscovo, 14 set 2021 (Lusa) — O Presidente russo, Vladimir Putin, criticou a presença de forças estrangeiras na SÃria sem o acordo do regime de Damasco, ao receber o seu homólogo sÃrio e aliado, Bashar al-Assad, indicou hoje o Kremlin.
Durante o raro encontro face a face entre os dois homens, que ocorreu na segunda-feira, Putin considerou que os “terroristas sofreram perdas consideráveis” na SÃria, onde as forças governamentais controlam, segundo ele, “90% do território”.
Segundo um comunicado do Kremlin divulgado hoje, Putin considera que o “principal problema” da SÃria é a interferência estrangeira no seu território.
“Sem decisão da ONU, sem o seu acordo, forças armadas estrangeiras estão presentes em algumas zonas do paÃs, o que é manifestamente contrário ao direito internacional”, disse Putin.
O Presidente russo não precisou quais eram as forças estrangeiras em causa, mas a Turquia e os seus aliados sÃrios controlam zonas no norte da SÃria e a coligação militar conduzida pelos Estados Unidos está baseada no nordeste em apoio à s forças curdas.
A Rússia, por seu turno, está destacada militarmente na SÃria desde 2015 em apoio à s forças de Bashar al-Assad, considerando o seu envolvimento justificado devido ao pedido das autoridades “legÃtimas” em Damasco.
A entrada militar da Rússia no conflito é considerada como o ponto de inflexão que permitiu a continuação do regime.
Conselheiros e grupos ligados ao Irão, como o movimento xiita libanês Hezbollah, estão igualmente na SÃria, combatendo ao lado das forças do regime.
O Presidente sÃrio saudou os “resultados significativos obtidos pela Rússia e pela SÃria na libertação dos territórios ocupados pelos combatentes e na destruição do terrorismo”, segundo a transcrição em russo das suas declarações divulgada pelo Kremlin.
Assad reconheceu que os “processos polÃticos” empreendidos para acabar com a guerra na SÃria “estagnaram”, atribuindo a paralisia das várias negociações à “influência destrutiva” de “certos Estados”.
De acordo com um comunicado da presidência sÃria, no encontro entre Putin e Assad foram abordadas a cooperação económica, a luta contra o terrorismo e “a conclusão da libertação das terras ainda” sob controlo dos rebeldes e ‘jihadistas’.
Desencadeada em 2011, a guerra na SÃria causou cerca de meia milhão de mortos e milhões de deslocados e refugiados.
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