
Cairo, 22 jun 2021 (Lusa) — A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou hoje que fechar o único ponto de acesso para fornecer ajuda humanitária no noroeste da SÃria teria “consequências desastrosas” para mais de quatro milhões de pessoas na região.
No próximo dia 10, é votada no Conselho de Segurança da ONU a renovação de uma resolução sobre a ajuda transfronteiriça.
“Depois de 10 anos de guerra, renovar a resolução do Conselho de Segurança é mais importante do que nunca. A vida de milhões de pessoas, a maioria das quais são mulheres e crianças, depende dela”, disse o coordenador-geral dos MSF na SÃria, Faisal Omar, num comunicado.
Em 2019 e 2020, a Rússia e a China vetaram a renovação da resolução transfronteiriça da ONU em relação aos pontos de passagem de ajuda humanitária de Bab al-Salam (na fronteira com a Turquia), Al Yarubiyan (fronteira com o Iraque) e Al-Ramtha (fronteira com a Jordânia). O único que continuou a ser autorizado foi o de Bab al-Hawa, na fronteira turca.
“Neste momento, a passagem fronteiriça de Bab al-Hawa é a única disponÃvel para a ajuda vital à provÃncia de Idlib, no noroeste da SÃria. Se for fechada a passagem de ajuda humanitária, muitas vidas ficarão em risco. Se for interrompido o fornecimento de medicamentos podemos perder a nossa capacidade de tratar os doentes”, refere no comunicado Abdulrahman M., coordenador dos MSF na zona.
Teme-se que aquele ponto de passagem também seja encerrado porque a Rússia, aliada do regime sÃrio, pretende que toda a ajuda seja canalizada através de Damasco, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
Moscovo alega que a distribuição de ajuda a partir da Turquia e gerida pela ONU beneficia grupos “terroristas” naquela zona, que não está sob controlo do Governo de Bashar al-Assad.
De acordo com as Nações Unidas, 75% dos mais de quatro milhões de pessoas que vivem no noroeste da SÃria dependem de ajuda humanitária e quase 85% recebem apoio graças à operação internacional através da fronteira turca.
Cerca de meio milhão de pessoas morreram na guerra na SÃria, desencadeada em 2011, segundo um balanço do Observatório SÃrio dos Direitos Humanos.
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