
Bruxelas, 30 mar 2021 (Lusa) — O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, defendeu hoje que “cabe aos sÃrios” decidir o “futuro da SÃria”, salientando que, se o regime de Bashar al-Assad der “passos nessa direção”, a UE irá “responder”.
“Os sÃrios têm de decidir o futuro da SÃria e o futuro da SÃria não pertence a nenhuma das fações nem a nenhum dos poderes externos: cabe aos sÃrios moldá-lo, através de negociações sÃrias e lideradas por sÃrios, sob o auspÃcio das Nações Unidas. O regime sÃrio deve dar passos nessa direção e, se o fizerem, nós iremos responder”, defendeu Josep Borrell.
O Alto Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e PolÃtica de Segurança, Josep Borrell, falava durante uma conferência de imprensa à margem da 5.ª Conferência de Bruxelas sobre o apoio ao futuro da SÃria e da região.
Argumentando que o facto de se tratar da quinta edição da Conferência de Bruxelas não é um “motivo para celebrar”, Borrell destacou que, pelo contrário, mostra como a “situação do povo sÃrio é trágica e prolongada”.
“Do lado da UE, envia uma mensagem simples: a UE tem-se mantido do lado dos sÃrios e daqueles que os acolhem enquanto refugiados durante toda a crise. E iremos continuar a fazê-lo o tempo que for necessário”, frisou.
O Alto Representante enumerou assim um conjunto de dados — como os 400 mil óbitos durante os 10 anos de conflito ou os 12 milhões de refugiados que gerou — para ilustrar a “dor e sofrimento por que os sÃrios estão a passar” e o quanto a “SÃria está hoje devastada”.
“No entanto, para conseguirmos encontrar o remédio certo, não podemos esquecer-nos das causas do problema: há exatamente 10 anos, os sÃrios manifestaram-se pacificamente a pedir liberdade, justiça e perspetivas económicas. O regime respondeu com violência extrema, incapaz e sem vontade de responder a esses pedidos”, sublinhou.
Apelando assim a que o regime do Presidente sÃrio, Bashar al-Assad, “dê passos” para uma transição polÃtica, Borrell afirmou que, até lá, a UE irá continuar a “mobilizar todos os seus esforços para responder à s necessidades crescentes do povo sÃrio e dos paÃses vizinhos que acolhem 5,6 milhões de refugiados”.
“Nos últimos 10 anos, a UE e os seus Estados-membros têm sido o principal fornecedor de apoio à SÃria, com mais de 25 mil milhões de euros disponibilizados desde o inÃcio da crise”, referiu.
No âmbito da Conferência de Bruxelas, a que copreside com a Organização das Nações Unidas (ONU) e que serve para angariar fundos para responder à necessidade da população sÃria, Borrell anunciou assim que a UE irá doar mais 560 milhões de euros.
O chefe da diplomacia europeia frisou ainda que a Conferência de Bruxelas tem sido “crucial” para “sublinhar o apoio polÃtico e financeiro” à SÃria, mas também para “responder à s questões humanitárias e de resiliência mais crÃticas” que afetam os sÃrios e os paÃses que os acolhem.
Além disso, Borrell destacou também o papel que a sociedade civil sÃria desempenha nesta conferência, tendo a mesma contado, na segunda-feira, com a participação de mais 1500 membros da sociedade civil.
“A voz da sociedade civil é crucial para perceber plenamente o que está a acontecer, o que é necessário e como é que a SÃria de amanhã pode ser moldada e construÃda. Eles trazem esperança para o seu futuro, para uma SÃria pacÃfica e diferente”, concluiu.
Iniciada em 2017, a Conferência de Bruxelas sobre o apoio ao futuro da SÃria e da região, copresidida pela UE e pela ONU, tem como objetivo “apoiar o povo sÃrio e mobilizar a comunidade internacional no apoio a uma solução polÃtica abrangente e credÃvel para o conflito sÃrio”.
Numa altura em que, em 15 de março, se celebrou o décimo aniversário do inÃcio da guerra civil no paÃs, a 5.ª Conferência de Bruxelas irá também servir para angariar fundos para “responder à s necessidades da população” assim como das suas “comunidades de acolhimento”.
Além de Josep Borrell, a conferência contou também, entre outros, com a participação do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André, e com uma intervenção gravada do secretário-geral da ONU, António Guterres.
TEYA // EL
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