
Lisboa, 01 jul (Lusa) — A Associação Sindical dos Profissionais da PolÃcia (ASPP/PSP) questionou hoje os comandantes da PSP sobre a falta de efetivos e o funcionamento em “serviços mÃnimos” de muitas esquadras, numa carta aberta a que Lusa teve acesso.
Na missiva enviada aos comandantes metropolitanos, regionais, distritais e diretores dos estabelecimentos de ensino da PolÃcia de Segurança Pública, a ASPP indica que a maioria das esquadras funciona com 25 elementos, além dos quatros agentes afetos à Escola Segura e apoio à vÃtima.
A ASPP questiona qual a capacidade de uma esquadra com 25 elementos nomear agentes para missões extra, como penhoras, manifestações, pedidos de averiguação, mandados de condução, e se consegue responder às solicitações diárias.
“Digam vossas excelências da possibilidade de uma esquadra destacada, com todas as valências previstas, funcionar minimamente com o efetivo aproximadamente de 25 profissionais”, questiona também a ASPP, dando conta que muitas das esquadras funcionam atualmente em “serviços mÃnimos”.
A ASPP considera que estas esquadras a funcionar em “serviços mÃnimos” apenas conseguem “trabalhar minimamente com o sacrifÃcio dos direitos mais elementares, e absolutamente legÃtimos, dos polÃcias”, convidando os comandantes “a imaginar como funcionarão as que têm muitos menos elementos do que os do exemplo apresentado e ainda com as valências de trânsito e investigação criminal”.
“Provavelmente não terão uma visão agradável de como funcionam essas esquadras, e com certeza não quereriam trabalhar nelas, em qualquer que fosse a função”, refere o maior sindicato da PSP na carta aberta enviada aos comandantes daquela polÃcia, denunciando “a crescente falta de efetivo, transversal a todas as unidades” que está na “origem desta conjuntura irreal” e “muito próxima do colapso”.
Nesse sentido, a ASPP exorta os comandantes a refletirem se “não estará na hora de esclarecer quais as tarefas” que os polÃcias podem e devem “realmente fazer, e principalmente quais as tarefas que se tem decididamente de afastar”.
Em declarações à Lusa, o presidente da ASPP, Paulo Santos, afirmou que a carta aberta tem o objetivo de alertar os comandantes para “os recursos muito escassos para dar cumprimento à missão” e para que façam “pressão junto do diretor nacional da PSP sobre a realidade das esquadras do paÃs” no sentido do problema ser resolvido.
“É necessário fazer uma reorganização do serviço. Não é possÃvel trabalhar com estes meios”, disse, considerando que é importante resolver a falta de efetivos e fazer uma reorganização.
Paulo Santos sustentou que as esquadras em “serviços mÃnimos” têm funcionado graças aos polÃcias que trabalham em dias de folgas e “à sonegação de direitos” dos agentes.
“Mostrar a realidade das esquadras aos comandantes é uma forma de abanar consciências”, sustentou ainda.
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