
Caldas da Rainha, Leiria, 16 abr 2022 (Lusa) – O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) está solidário com os chefes de equipa da urgência do hospital de Caldas da Rainha, que se demitiram para exigir melhores condições de assistência e para evitar o colapso daquele serviço.
Em comunicado, o sindicato refere que o “número insuficiente de médicos, o crescente recurso a empresas de prestação de serviços e o aumento do afluxo de utentes exigem uma resposta do Ministério da Saúde”.
Segundo o SIM, as empresas de prestação de serviços chegam a ser pagas a “mais de 80 euros à hora, ou seja, quatro vezes mais” do que se fosse um “médico especialista mais diferenciado”.
O sindicato afirma que também os médicos de Medicina Interna da unidade de Caldas da Rainha estão “no limite das capacidades fÃsicas e mentais”, tendo escrito, num comunicado, que se encontram “exaustos, desanimados, desgastados, desmotivados, mas sobretudo em sofrimento ético e em risco profissional”, porque na sua profissão “o erro mata”.
Neste âmbito, o SIM considera que “não adianta ao Ministério da Saúde proclamar que tudo está bem, que há muito mais meios e que aumentam as verbas do Orçamento de Estado em centenas de milhões [de euros], quando a realidade prevalece em relação à propaganda”.
“É fundamental atrair profissionais, não apenas através da correta remuneração, mas também oferecendo condições de trabalho e de progressão e diferenciação profissional”, defende.
O SIM sublinha que “é fundamental tratar bem os médicos e evitar as rescisões que têm ocorrido” e que, quando receber os sindicados, a ministra da Saúde “negoceie uma grelha salarial”, o que “o Governo se comprometeu a fazer há 10 anos”.
“É fundamental apoiar o SNS, não por palavras, mas por atos”, sublinha.
Na sexta-feira, a administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) informou que os chefes de equipa do serviço de urgência do Hospital de Caldas da Rainha pediram a demissão do cargo, mas assegurou que o serviço está a funcionar normalmente.
O CHO esclareceu que as demissões “respeitam apenas ao cargo de gestão de chefia de urgência e não ao exercÃcio das funções clÃnicas”, pelo que a equipa “continua a assegurar o normal funcionamento” do serviço.
Assim, os clÃnicos mantêm-se em funções, “providenciando todos os cuidados inerentes ao funcionamento do serviço”, depois de um aumento na afluência à s urgências do Hospital de Caldas da Rainha ter causado constrangimentos no socorro aos doentes pelos bombeiros locais.
O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais de Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, tendo uma área de influência constituÃda pelas populações dos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra.
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