
Seul, 01 mar 2026 (Lusa) – O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, exortou hoje Tóquio a “trabalhar em conjunto” para enfrentar a conjuntura global, num discurso proferido por ocasião do 107.º aniversário do Movimento pela Independência contra o domínio colonial japonês (1910-1945).
“Agora que enfrentamos uma situação internacional grave, é precisamente o momento em que a Coreia do Sul e o Japão devem responder à realidade e avançar juntos em direção ao futuro”, disse Lee na cerimónia realizada no centro de exposições COEX, no sul da capital.
As declarações de Lee foram feitas após o ataque lançado no sábado por Israel e Estados Unidos contra o Irão, num contexto de crescente instabilidade internacional.
O Presidente sul-coreano sublinhou que, embora persistam feridas históricas e vítimas que continuam a sofrer entre os dois países, Seul deve promover uma diplomacia prática com Tóquio, que permita enfrentar em conjunto os desafios atuais, sob o espírito de “paz e prosperidade partilhada” do movimento.
Lee também reiterou que a Coreia do Sul, a China e o Japão devem encontrar pontos em comum, comunicar e cooperar, numa alusão às tensões recentes entre Pequim e Tóquio, relacionadas com Taiwan.
O Partido Democrático (DP) sul-coreano, atualmente no poder, tem tradicionalmente mantido uma postura mais conflituosa em relação a Tóquio devido ao passado histórico e às disputas territoriais; no entanto, desde que assumiu a presidência em junho passado, Lee adotou uma postura de aproximação.
Também havia inquietação em Seul pelas posições revisionistas expressas no passado pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, embora desde a sua chegada ao poder, em outubro passado, ela tenha moderado o seu discurso.
Os líderes de Seul e Tóquio realizaram em janeiro uma cimeira em tom distendido, que incluiu a assinatura de acordos de cooperação em áreas como segurança económica ou cadeias de abastecimento.
Entre as disputas históricas que continuam a pesar nas relações bilaterais, destaca-se o caso das mulheres forçadas a servir em bordéis militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, eufemisticamente conhecidas como “mulheres de conforto”.
As relações bilaterais melhoraram nos últimos anos. Em 2023, o então presidente conservador Yoon Suk-yeol definiu o Japão como um país “parceiro” em matéria económica e de segurança.
A cerimónia deste ano decorreu num clima de estabilidade, ao contrário de 2025, quando Yoon se encontrava detido depois da imposição falhada da lei marcial em dezembro de 2024, que levou à sua destituição e posterior condenação à prisão.
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