
Washington, 02 out 2023 (Lusa) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu hoje que o financiamento dos investimentos em adaptação e mitigação das alterações climáticas deve vir do setor privado, que precisa de investir mais dois biliões de dólares por ano.
“Estimamos que o setor privado precisa de cobrir a maioria das necessidades de investimento em mitigação climática nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento (EMDE), num montante que pode chegar aos 90% do total, porque o crescimento do investimento público deverá ser limitado”, escrevem os autores do relatório sobre a Estabilidade Financeira Global, cujo terceiro capÃtulo é hoje divulgado.
“A Agência Internacional da Energia projeta que estes investimentos precisam de aumentar para dois biliões de dólares [1,8 biliões de euros] por ano até 2030 nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento, o que correspondente a 12% do investimento total nestes paÃses, significativamente acima dos atuais 3%”, acrescenta o FMI, salientando que, para já, os problemas são maiores que as soluções.
“Os EMDE enfrentam desafios significativos na atração de capital privado”, alertam, apontando que “muitos têm ‘ratings’ abaixo da recomendação de investimento, o que limita a base de potenciais investidores e resulta em elevados custos de financiamento”, especificam.
Além disso, muitos destes paÃses, onde se incluem os lusófonos africanos, enfrentam também um desfasamento entre as polÃticas ambientais dos maiores bancos e seguradoras e os objetivos de emissões lÃquidas zero, o que torna mais difÃcil a obtenção de financiamento.
O financiamento de investimentos que protejam os paÃses das alterações climáticas é um dos principais temas que estarão em debate nos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, que decorrem na próxima semana em Marraquexe, Marrocos.
Para ajudar os paÃses a fazerem a transição para a economia verde, e para conseguirem encontrar financiamento para implementar a transição, o Fundo apresenta uma série de recomendações sobre as polÃticas, alertando, desde logo, que é preciso uma visão integrada e a abrangente e que nenhum paÃs consegue fazer isto sozinho.
“Para criar um ambiente atrativo para os investimentos de capital privado nos EMDE é preciso um amplo conjunto de polÃticas”, salientam, a começar pelo crescimento do mercado de carbono, apresentado como “altamente eficaz na canalização dos capitais privados para investimentos em carbono baixo”, mas com a dificuldade de os decisores polÃticos terem de “complementar esta aposta com polÃticas adicionais para garantir os investimentos privados”.
Para além da aposta neste mercado, o FMI segue as tradicionais recomendações de equilÃbrio orçamental, prudência macroeconómica, implementação de reformas polÃticas, aprofundamento dos mercados financeiros e estruturas inovadoras de financiamento, para além do fortalecimento da arquitetura de informação sobre dados climáticos para ‘convencer’ os investidores.
No documento, os autores deixam também um incentivo ao “alargamento da utilização de garantias por parte dos bancos multilaterais de desenvolvimento e de doadores, que podem ser um instrumento eficaz na redução do risco real e percecionado nos EMDE”.
Apoiam também o recurso a financiamento misto (‘blended finance’, no original em inglês, significando a junção de vários tipos de financiamento, como emissão de tÃtulos de dÃvida e empréstimos) para melhorar o perfil de risco e recompensa das oportunidades de investimento.
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