
Póvoa de Varzim, Porto, 28 ago 2024 (Lusa) — O presidente da Agros, União de Cooperativas de Produtores de Leite, considerou hoje que o envelhecimento geracional continua a ser um dos principais problemas do setor, e pede estÃmulos do Estado para inverter esta tendência.
“A questão geracional é, de longe, o maior falhanço da PAC (PolÃtica AgrÃcola Comum). Não é apenas um problema de Portugal, mas sim um problema mais premente em Portugal, porque somos o Estado membro mais envelhecido. Estamos neste limiar de transferência de gerações e seria importante mais estÃmulos do Estado que incentivassem a transmissão e retenção de conhecimento e talento”, disse Idalino Leão, presidente da Agros.
O responsável lembrou que “quando encerra uma quinta de produção de leite, o paÃs perde capacidade produtiva”, vincando que a agricultura nacional precisa de reter as suas “mais-valias”.
“Precisamos que haja estabilidade, previsibilidade e rentabilidade no setor. Sem isso, será difÃcil um produtor de leite incentivar os seus filhos a continuarem na atividade. Caso contrário, perdemos mais-valias para outros setores ou mesmo para outros paÃses. Enquanto português não queria ver isso acontecer”, acrescentou o dirigente.
Idalino Leão lembrou que, tal como qualquer outra atividade agrÃcola, também o setor do leite “precisa de equilÃbrio entre os três elos da cadeia: produção, transformação distribuição”, apontando a importância da atividade para o paÃs.
“É importante alguma supervisão do Estado para que este equilÃbrio se mantenha. Com isso, a rentabilidade será mais fácil de assegurar, e conseguiremos o objetivo de fixar pessoas, contribuir para a coesão territorial e gerar riqueza para paÃs”, completou o lÃder da Agros.
Estes e outros temas vão ser debatidos a partir desta quinta-feira, 10.ª edição da AgroSemana — Feira AgrÃcola do Norte, promovida pela Agros, no seu espaço na Póvoa de Varzim, distrito do Porto.
“É um evento que pretende celebrar a agricultura, mostrar o que produzimos e nossa forma de estar no mundo rural. Queremos ter as portas abertas para mostrar alimentos seguros e saudáveis aos nossos consumidores, as nossas quintas e os nossos animais ao público, para haver uma maior aproximação entre quem produz e quem consome”, sintetizou Idalino Leão.
O evento que se desenrola até 1 de setembro, vai ainda incluir jornadas técnicas vocacionadas para os agricultores, espaços de gastronomia e diversão e ainda espetáculos musicais ao longo dos quatro dias.
O presidente da Agros vincou que a “agricultura também tem de te este papel agregador e de coesão”, mesmo acrescentando mais algumas dificuldades do setor do leite.
“Preocupam-nos os custos fixos da energia, os custos fiscais e dos bens que continuam desequilibrados no contexto Ibérico. É importante que o Governo, que tem dito que quer colocar agricultura no centro da agenda, comece a aplicar medidas de apoio com força, sem medo dos radicalismo verdes”, concluiu Idalino Leão.
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