Setor da IA pede ao Congresso dos EUA que proteja o país de ameças biológicas

Nova Iorque, 04 jun 2026 (Lusa)- Executivos da indústria da inteligência artificial (IA) e um grupo de especialistas em segurança nacional pediram ao Congresso dos Estados Unidos que proteja o país das ameaças biológicas, potenciadas pela tecnologia, através da regulamentação dos pedidos de material genético sintético.

Numa carta aberta, dirigentes de renome como Sam Altman (OpenAI), Dario Amodei (Anthropic) e Demis Hassabis (Google DeepMind), galardoado com o Prémio Nobel em 2024, pedem formalmente aos legisladores que imponham por lei salvaguardas rigorosas às empresas que comercializam ADN e ARN sintéticos, componentes essenciais para o desenvolvimento de vacinas e avanços biotecnológicos.

“Os sistemas de IA estão a melhorar rapidamente e, a par dos incríveis benefícios para a ciência e a medicina, existe a possibilidade real de que as barreiras de conhecimento que historicamente impediram os agentes maliciosos de obter armas biológicas sejam significativamente erodidas”, adverte o documento, assinado em conjunto.

O objetivo central da iniciativa, impulsionada por centros de estudo de diversas correntes ideológicas, é obrigar os fornecedores de ácidos nucleicos a filtrar os pedidos dos seus clientes para bloquear combinações genéticas que se revelem perigosas, bem como verificar a legitimidade dos compradores e manter um registo das transações.

Os signatários, entre os quais se encontram também Mustafa Suleyman (Microsoft AI) e Alexandr Wang, fundador da Scale AI e diretor de IA na Meta, alertam que a velocidade do desenvolvimento da IA está a “mudar as regras do jogo”.

Os modelos atuais já superam virologistas com nível de doutoramento em questões laboratoriais altamente técnicas, o que poderia dar origem a “ferramentas criminosas para libertar novos agentes patogénicos”.

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto presidencial voltado para a cibersegurança e a supervisão de modelos de IA, alterando a abordagem desregulamentada que a sua administração vinha a adotar.

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