
Sydney, Austrália, 19 dez 2025 (Lusa) – A polÃcia australiana anunciou hoje que sete indivÃduos detidos no bairro de Liverpool, sudoeste de Sydney, têm ligações a uma ideologia islâmica extremista e são suspeitos de planearem um ataque. Â
Segundo o vice-comissário da polÃcia de Nova Gales do Sul, David Hudson, os homens detidos viajaram do estado de Victoria (sul da Austrália) e foram intercetados na quinta-feira após uma operação que envolveu unidades táticas fortemente armadas.Â
Durante a operação, cinco dias depois do ataque terrorista na praia de Bondi que visou participantes de uma festividade judaica e fez 16 mortos, a polÃcia intercetou os dois veÃculos em que os suspeitos seguiam.Â
Hudson indicou haver “alguns indÃcios” de que Bondi seria um dos locais para onde o grupo se deslocava, embora tenha esclarecido que, neste momento, não há provas de uma intenção especÃfica. Â
“Acreditamos, neste momento, que os homens têm ligações a uma ideologia islâmica extremista”, afirmou Hudson em entrevista à estação pública australiana ABC.Â
O ataque terrorista de domingo na praia de Bondi, quando se assinalava a festividade judaica Hanukkah, foi realizado por dois muçulmanos com ligações ao grupo Estado Islâmico, pai e filho, e foi o pior tiroteio do género na Austrália em várias décadas.Â
O pai foi abatido no local pela polÃcia e filho, de 24 anos, ficou ferido.Â
Ambos foram acusados de terem causado 15 mortos e dezenas de feridos, num ataque que as autoridades descreveram como terrorista e antissemita.Â
O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) celebrou na quinta-feira ter inspirado o atentado contra a comunidade judaica de Sydney, mas não reivindicou a sua autoria.Â
Num editorial do seu panfleto semanal al-Naba e com o tÃtulo “Orgulho de Sydney”, a organização terrorista observou que, embora “ainda não tenha tido a oportunidade de confrontar diretamente os judeus, os seus soldados e simpatizantes”, “nunca deixou de tentar planear ataques contra eles em todo o lado”.Â
No texto divulgado no seu panfleto, a organização terrorista referiu que o ataque de Sydney seguiu os seus apelos para visar judeus e cristãos durante os seus feriados e encontros.Â
“Transformaram o feriado de Hanukkah num funeral”, comentou a organização, tratando os dois atacantes como “leões”.Â
Na quarta-feira, a polÃcia australiana apresentou 59 acusações, incluindo 15 por homicÃdio e uma por terrorismo, contra Naveed Akram, o atacante sobrevivente em Sydney.Â
A Equipa Conjunta de Combate ao Terrorismo de Nova Gales do Sul declarou que o acusado ficou sob custódia policial no hospital, onde permanece internado com ferimentos graves depois de sair do estado de coma.Â
O ataque, que durou cerca de nove minutos, matou 15 pessoas, com idades entre os 10 e os 87 anos, e feriu outras 42 entre a multidão que festejava o Hanukkah.Â
Este caso é muito semelhante aos atropelamentos em massa ocorridos no primeiro dia do ano em Nova Orleães, nos Estados Unidos, que deixaram 15 mortos e dezenas de feridos, em que ao atacante assumia inspiração no EI, que também não reivindicou qualquer envolvimento.Â
O atentado na Austrália gerou reações polÃticas, com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a exigir na terça-feira que os governos ocidentais tomem medidas contra o antissemitismo e garantam a segurança das comunidades judaicas em todo o mundo. Â
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese anunciou na quinta-feira reformas legais para fortalecer o combate contra “aqueles que disseminam ódio, divisão e radicalização”.Â
O lÃder australiano explicou que o Ministério Público e o Ministério do Interior vão começar a trabalhar num pacote de medidas que inclui a criação de um crime agravado de discurso de ódio para pregadores e lÃderes que promovem a violência, bem como penas mais severas para discursos de ódio que incitam atos violentos.Â
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Lusa/FimÂ



