
Manteigas, Guarda, 06 jun 2026 (Lusa) — O presidente da Comissão de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) considerou hoje que a classificação como Reserva da Biosfera da UNESCO demonstra “valores naturais e de biodiversidade incríveis que o mundo quer conhecer”.
Flávio Massano, também presidente do Estrela Geopark Mundial da UNESCO e da Câmara de Manteigas, disse à Lusa que está “muito orgulhoso” do estatuto.
“É mais uma certificação e uma classificação para a Serra da Estrela, depois de um trabalho fantástico de várias pessoas, várias entidades e dos municípios”, realçou.
O autarca está em Hernandarias, no Paraguai, a participar na 38ª reunião do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera, onde a Serra da Estrela foi distinguida na sexta-feira como Reserva da Biosfera da UNESCO.
“Conseguirmos este selo é mais um dia feliz para a Serra da Estrela. Estamos todos de parabéns porque, no meio das adversidades e de tantas dificuldades, a Serra da Estrela ainda continua a distinguir-se a nível internacional”, disse Massano.
A candidatura foi apresentada pela Comissão de Cogestão do PNSE e pela Associação Geopark Estrela e “conseguiu provar — e os critérios são bastante apertados — que temos valor, competência e valores naturais e de biodiversidade incríveis que o mundo quer conhecer”, considerou.
Flávio Massano lembrou que o projeto foi realizado em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e com o apoio do Governo.
“Esta Comissão, constituída pelos seis municípios da Serra da Estrela [Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia], decidiu que o pilar transversal para a sua constituição seria lutar pelo selo da Reserva da Biosfera que ajudasse o território a trabalhar a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável das populações, mantendo a cultura e a tradição”, disse o autarca.
O trabalho arrancou em 2022 e “hoje [sexta-feira], felizmente, tivemos a boa notícia, o que traz também uma grande responsabilidade e reconhecimento para todo o território”, referiu Massano.
A distinção “faz com que esta nossa Serra da Estrela seja um ativo único e inigualável em Portugal. Às vezes ouvimos muitas críticas, pensamos que as coisas estão más e passamos por momentos difíceis (…) mas continuamos a ter pessoas fantásticas que não desistem, que acreditam e vão até ao fim”, elogiou Flávio Massano.
O dirigente elogiou o trabalho de Helena Freitas, reconhecendo que a professora da Universidade de Coimbra e coordenadora científica da candidatura foi uma “peça fundamental” do projeto.
“Esta distinção vai colocar-nos numa rede restrita a nível mundial e vai trazer ainda mais curiosos, mais turistas, mais desenvolvimento sustentável, provavelmente investidores da economia verde também”.
Flavio Massano partilhou ainda a distinção com todos os habitantes da Serra da Estrela e disse esperar que a conquista seja valorizada.
“É uma responsabilidade. Somos, a partir de agora, Reserva da Biosfera da UNESCO e, portanto, é aproveitarmos e trabalharmos para a conseguirmos manter e para trazermos cada vez mais pessoas e desenvolvimento sustentável para o nosso território”, disse.
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal Região das Beiras e Serra da Estrela, Carlos Condesso, considerou a integração na Reserva da Biosfera da UNESCO um “motivo de orgulho” para a região e para o país.
“É também o reconhecimento de um património excecional e, simultaneamente, um compromisso com um modelo de desenvolvimento que valoriza a natureza, as pessoas que aqui residem e as gerações futuras”, disse à Lusa.
Este estatuto pode ainda “aumentar a visibilidade da Serra da Estrela e do nosso território a nível nacional e internacional, potenciando um turismo mais qualificado, ligado à natureza, à cultura e às tradições locais”, referiu Condesso.
Por outro lado, “abre portas a novas parcerias, projetos de investigação e candidaturas a financiamentos destinados à conservação da biodiversidade e à valorização dos recursos endógenos”, considerou o também autarca de Figueira de Castelo Rodrigo.
Carlos Condesso afirmou ainda que a distinção da UNESCO “reforça a responsabilidade coletiva de proteger um património único, mas também de criar condições para que a Serra da Estrela continue a ser um território vivo, dinâmico e com futuro”.
LYM // VQ
Lusa/fim
