
Praia, 22 jun 2023 (Lusa) — As empresas públicas ou participadas em Cabo Verde registaram prejuÃzos no 4.º trimestre de 2022, de 861 mil euros, mas as seis maiores tiveram lucros de 1,2 milhão de euros, conforme dados oficiais hoje divulgados.
De acordo com o Relatório Trimestral de Desempenho do SEE de Cabo Verde, entre outubro e dezembro do ano passado o total dos resultados lÃquidos atingiu 95 milhões de escudos (861 mil euros) negativos, face aos 626 milhões de escudos (5,6 milhões de euros) negativos no perÃodo homólogo.
No perÃodo em análise, em que a economia do paÃs cresceu 9%, o resultado operacional de todas as empresas cresceu 227%, face ao perÃodo homólogo, impulsionado pela eficiência dos gastos na sua relação com o volume de negócios, este que registou uma variação positiva de 15%, fixando-se em 11.683 milhões de escudos (105 milhões de euros).
“A riqueza criada pelo SEE aumentou 48%, atingindo os 2.420 milhões de escudos (21 milhões de euros), com impacto no resultado lÃquido em +85%”, lê-se num comunicado divulgado pelo Ministério das Finanças, que verificou “melhorias significativas da eficiência”, com aumento de três pontos percentuais na margem operacional e cinco pontos percentuais na margem lÃquida.
Segundo a mesma fonte, nos últimos três meses do ano passado “a rentabilidade do setor registou melhorias, refletindo o bom desempenho do resultado lÃquido do perÃodo, em comparação com o perÃodo homólogo”.
“A nÃvel do risco macro fiscal do SEE (…) evidenciou-se uma moderação do risco, tendo duas empresas apresentado melhorias do seu nÃvel”, constatou o documento oficial.
E se o total das mais de 30 empresas públicas ou participadas em Cabo Verde deram prejuÃzos no 4.º trimestre, as seis maiores tiveram lucros de 138 milhões de escudos (1,2 milhão de euros).
A ASA (aeroportos), ELECTRA (energia), EMPROFAC (medicamentos), ENAPOR (portos), IFH (imobiliária) e TACV (transportes) fazem parte do grupo das seis maiores empresas que registaram “boa dinâmica” ao nÃvel do resultado operacional, de 512 milhões de escudos (4,6 milhões de euros).
“O resultado lÃquido passou de 326 milhões de escudos (2,9 milhões de euros) negativos para 138 milhões de escudos positivos, representando um crescimento de 144%, com um peso relativo de 145% na performance do SEE”, lê-se no comunicado.
“A importância e o impacto deste grupo, tornam-se, a cada trimestre, mais significativos, com uma tendência altamente positiva e a representarem 90% do setor”, prosseguiu.
Quatro das seis maiores empresas públicas constam da agenda de passÃveis de privatização, alienação parcial, concessão ou parceria público-privada definida pelo Governo, nomeadamente ELECTRA, EMPROFAC, ENAPOR e TACV.
“Os resultados alcançados evidenciam em como poderão ter reflexos positivos na concretização da referida agenda”, perspetivou o Executivo.
Relativamente ao setor terciário, o Ministério das Finanças referiu que a sua performance impactou “positivamente” toda dinâmica verificada no SEE, crescendo 13%, “derivado sobretudo dos estÃmulos e da dinâmica de recuperação da atividade económica.
Para este desempenho, contribuÃram os ramos do alojamento e restauração (+63%), comércio (+21%) e transportes (+34%).
“Na mesma linha, as empresas do setor secundário têm apresentado dinâmicas favoráveis, com destaque para o impulso positivo nos ramos de atividades da eletricidade e água (+22%) e da indústria transformadora (+3%)”, avançou ainda.
Com base nos relatórios trimestrais de 2022, o Governo de Cabo Verde perspetiva uma “melhoria significativa” da performance do SEE em relação a 2021, em que o resultado lÃquido deverá aumentar 75%.
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