Se ouvisse os críticos, israelitas teriam morrido “entre o fumo nuclear”, diz Netanyahu

Jerusalém, Israel, 20 out 2025 (Lusa) — O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, defendeu hoje no parlamento a ofensiva militar durante mais de dois anos na Faixa de Gaza, argumentando que, se tivesse ouvido os críticos, os israelitas teriam morrido “entre o fumo nuclear”.

Discursando na reabertura do Knesset (parlamento), o chefe do Governo sustentou que, graças à insistência do seu executivo, o grupo islamita palestiniano Hamas “sentiu a ponta fria do aço no seu pescoço e aceitou o acordo para a libertação dos reféns”, que conservava na sua posse desde outubro de 2023.

“Isto deveu-se ao envio de tropas para a Cidade de Gaza, o seu último bastião”, destacou Netanyahu, a respeito da ordem dada pelo seu Governo para a ocupação da capital do enclave, antes do cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro.

“Foi então que o Hamas compreendeu que estava perante a aniquilação”, assinalou.

Netanyahu alegou que, se tivesse dado ouvidos aos críticos da ofensiva militar no Knesset e nos protestos nas ruas de Israel, o conflito no enclave palestiniano ” teria terminado com a vitória deles [Hamas] e de todo o eixo iraniano”, deixando uma referência ao programa nuclear de Teerão.

Os israelitas de todos os setores da sociedade “teriam ido para o céu entre o fumo nuclear” se tivesse interrompido a guerra, argumentou.

O líder do Governo afirmou que não teria deixado a guerra “terminar nos termos estabelecidos pelo Hamas e com a ajuda dos governos de todo o mundo, com a ajuda da imprensa internacional”, aludindo ao isolamento que o seu executivo começou a enfrentar no seguimento das denúncias de genocídio e de política deliberada de fome no território.

“Reforçámos a capacidade de Israel para conter a guerra e trouxemos de volta os nossos reféns, todos os que estão vivos. Alguns dos mortos, que ainda lá estão, também serão trazidos de volta”, declarou.

De acordo com Netanyahu, Israel consolidou “o seu estatuto de superpotência”, mas advertiu que o conflito ainda não terminou, ao dar como exemplo os incidentes no domingo na Faixa de Gaza.

Israel acusou o Hamas de violar a trégua, num ataque no sul do território que matou dois militares israelitas, uma versão negada pelos islamitas palestinianos, a que seguiram bombardeamentos em grande escala em várias partes do enclave.

“Há, e continuará a haver, um preço elevado a pagar por nos atacar”, avisou o primeiro-ministro israelita, que no parlamento indicou um total de 153 toneladas de bombas largadas na Faixa de Gaza no domingo, frisando que o acordo de cessar-fogo “não permite ao Hamas ameaçar Israel”.

No seu discurso, Benjamin Netanyahu afirmou que Israel “estende a mão a todos os que desejam viver em paz”, mas alertou que “a paz é feita pelos fortes, não pelos fracos, e agora todos sabem que Israel é um país muito forte”.

Nesse sentido e com vista “a derrotar os inimigos de Israel”, fez no Knesset um apelo para a unidade, acusando mais uma vez a oposição de passar meses a tentar “terminar a guerra nos termos do Hamas”.

No final da segunda fase do acordo de cessar-fogo, “o Hamas será eliminado”, vaticinou, ao mesmo tempo que indicou que Israel planeia reforçar a sua indústria de armamento e “transformar o país numa superpotência de Inteligência Artificial”.

Netanyahu observou ainda que o seu Governo planeia aprovar em breve o orçamento de 2026, visando “fortalecer a economia”, num momento em que, descreveu, “a inflação está a descer, o shekel [moeda israelita] está forte e o desemprego no seu nível mais baixo de sempre”.

No entanto, advertiu que, devido aos embargos de armas impostos durante a ofensiva militar contra a Faixa de Gaza, o país “precisa reforçar a sua indústria doméstica e terá de investir mais na sua segurança”.

No âmbito do cessar-fogo, o Hamas entregou há uma semana os 20 reféns vivos que mantinha na sua posse, em troca de quase dois mil prisioneiros palestinianos.

No entanto, até à data, apenas devolveu 12 dos 28 reféns mortos, alegando dificuldades em localizar os corpos entre os escombros do território.

Nesta fase foi também acordada a retirada gradual das forças israelitas e a entrada em massa de ajuda humanitária.

A etapa seguinte prevê o desarmamento do Hamas e a continuação da retirada israelita do enclave.

A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 68 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.

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