
Lisboa, 25 mar 2026 (Lusa) – São Tomé e Príncipe lançou hoje o seu Repositório Científico, integrado na rede da CPLP, para digitalizar e dar visibilidade global à produção académica nacional, anteriormente restrita a arquivos físicos, promovendo a Ciência Aberta no arquipélago.
O diretor do Ensino Superior e Ciência de São Tomé e Príncipe, Ilvécio Ramos, no ‘webinar’ “Evento de lançamento do Repositório Comum da CPLP e do Repositório Científico de São Tomé e Príncipe”, declarou que este é um “momento de elevado significado para o Ensino Superior, para a Ciência e para a valorização do conhecimento de São Tomé e Príncipe no espaço da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]”.
Para Ramos, este ato representa “a afirmação de uma visão, de uma escolha estratégica e de um compromisso com o futuro”.
O ensino superior do país lusófono integra cerca de três mil estudantes, que ao longo dos anos têm vindo, juntamente com professores e investigadores, a produzir diversos “documentos científicos de grande valor académico e intelectual”.
Segundo Ilvécio Ramos, durante muito tempo grande parte da produção científica do país lusófono “permaneceu, essencialmente, armazenada em arquivos das instituições (…), com acesso limitado, pouca circulação e reduzida visibilidade pública”.
“O conhecimento existia, era produzido com esforço, mérito e rigor, mas muitas vezes ficava confinado em prateleiras, aos arquivos físicos e às consultas restritas”, referiu Ramos, acrescentando que, com o lançamento do Repositório Científico de São Tomé e Príncipe, “dá-se um passo firme rumo a uma nova etapa, uma etapa em que a produção científica e académica nacional passa a estar melhor organizada, preservada, acessível e valorizada”.
De acordo com Ramos, a ciência, inovação e informação afirmam-se como pilares fundamentais do desenvolvimento do país.
A diretora do Instituto de Inovação e Conhecimento (INIC) de São Tomé e Príncipe, Dalila Rita, disse esperar que o repositório seja utilizado pelas instituições de ensino, pela sociedade civil e laboratórios de investigação.
“A partir de hoje, a nossa luta será a adoção da plataforma de uma forma macro”, salientou a diretora do INIC, acrescentando que a cooperação entre os países da CPLP permite ter “uma ferramenta aberta de conhecimento”, que possibilita o consumo de documentos de todos os países que têm a língua portuguesa em comum.
O repositório, que, até ao momento, tem duas instituições participantes – a Universidade de São Tomé e Príncipe e o Instituto Superior Politécnico de São Tomé e Príncipe -, vai integrar-se no Repositório Comum da CPLP (RCCPLP), que conta ainda com repositórios do Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste.
Antes deste projeto – que também contou com a colaboração da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) – ser lançado, todos os documentos científicos de São Tomé e Príncipe eram armazenados no RCCPLP, que possibilita aos Estados-membros da comunidade que não têm repositório de colocarem, mostrarem e darem acesso aberto às suas produções científicas.
Além dos lançamentos, o webinar contou com o painel “Caminhos e desafios para a gestão da Ciência Aberta no Espaço CPLP”, onde representantes de diferentes países da CPLP abordaram as limitações, os resultados e as barreiras dos seus repositórios, como por exemplo, o Repositório Científico de Moçambique (RECIMO) e o Portal do Conhecimento de Cabo Verde.
Segundo uma nota da organização, “o Repositório Científico da CPLP está em execução desde 2021 e agrega mais de dois milhões e quinhentos mil documentos científicos” e conta com a parceria da FCT, Universidade do Minho e do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.
A CPLP, que este ano assinala 30 anos, é constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (suspensa), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
DGYP (NYC) // MLL
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