
Lisboa, 08 jul 2026 (Lusa) – A CPLP vai enviar uma missão de observação eleitoral às presidenciais de São Tomé e Príncipe de 19 de julho, que deve ser chefiada pelo ex-ministro angolano João Bernardo Miranda, anunciou hoje fonte oficial.
“Temos a missão [de observação eleitoral] quase a sair (…) vamos fazer uma reunião preliminar aqui [na sede, em Lisboa] durante uns dois dias antes de saírem e depois entre o dia 14 e 15 [de julho] nós estaremos já em São Tomé e Príncipe”, declarou aos jornalistas a secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), à margem da receção ao primeiro-ministro cabo-verdiano, Francisco Carvalho, na sede da organização.
Maria de Fátima Jardim frisou que esta missão deverá ser chefiada pelo ex-ministro angolano João Bernardo Miranda que, recordou, tem um vasto currículo em missões de observação e desempenhou cargos governativos em Angola, nomeadamente o de ministro das Relações Exteriores.
Na opinião da ex-ministra angolana, a CPLP está a “consolidar um aspeto extremamente importante” ao realizar estas missões de observação eleitoral e desejou que estas eleições ocorram com o mesmo sentido democrático das legislativas em Cabo-Verde, as mais recentes num Estado-membro da organização lusófona.
“Nós desejamos ao povo de São Tomé do Príncipe que, de forma orgulhosa, consigam, com disciplina e com honra, (…) realizar este exercício democrático”, declarou.
O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho, nomeadamente Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D’Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que é recandidato ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal.
Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.
Por outro lado, questionada a secretária-executiva sobre as celebrações dos 30 anos da CPLP em Lisboa, que se assinalam em 17 de julho, na próxima semana, a ex-governante angolana respondeu que estas começaram dia 01 de janeiro, de forma geral.
Por outro lado, sobre a Guiné-Bissau, frisou que o embaixador do país em Lisboa, Artur Silva, está convidado para fazer parte das celebrações dos 30 anos e reiterou que a organização é formada por nove Estados-membros.
Sobre a pergunta direta relacionada com a presença no embaixador guineense nas celebrações respondeu: “O embaixador Artur Silva tem estado connosco. Ele está connosco e nós estamos com ele”.
Maria de Fátima Jardim salientou que há Estados da CPLP com representações diplomáticas na Guiné-Bissau e que, por isso, as relações bilaterais se mantém, mas ressalvou que o multilateralismo tem de se credibilizar, através da criação de instrumentos para tal.
Os guineenses foram a eleições a 23 de novembro de 2025, mas acabaram interrompidas, sem a divulgação dos resultados, por um golpe de Estado em que os militares tomaram o poder.
A oposição considerou tratar-se de um “golpe palaciano” e de “uma encenação” do anterior Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.
O candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, reclamou vitória na primeira volta, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que, pela primeira vez, foi impedido de ir a eleições por decisão judicial.
No seguimento do golpe de Estado, Bissau foi suspensa da CPLP, – de que detinha a presidência rotativa – da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
O presidente do histórico PAIGC, Domingos Simões Pereira, considerado o principal líder da oposição ao regime, foi detido no golpe de novembro de 2025 e permanece em prisão domiciliária.
Simões Pereira está a ser investigado pelo Tribunal Militar e é considerado suspeito de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado em outubro de 2025, cerca de um mês antes das eleições gerais e do golpe militar consumado.
A CPLP é constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe de Timor-Leste.
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