São Tomé/Eleições: Nito d’Abreu o candidato “que também veio de baixo” promete ser “o Presidente do povo

São Tomé, 13 jul 2026 (Lusa) — A caravana de Nito d’Abreu serpenteia entre a terra batida que ladeia casas de madeira e chapa, sem saneamento, estaciona num largo e o candidato são-tomense não perde tempo a prometer que será “um Presidente do povo”.

O candidato apoiado pelo partido no poder, a Ação Democrática Independente (ADI), que pela manhã deu entrevistas de fato, dispensa agora, pela hora do almoço, na cidade de São Tome, o vestuário mais formal e, de mangas arregaçadas, garante que “desta vez vai ser diferente”.

Falando na terceira pessoa, do camião-palco que debita as músicas da campanha, intervaladas com míni-comícios, lembra o jovem Nito que tinha de ir buscar água longe “porque não tinha água na torneira”. A mensagem é simples de entender: “o vosso candidato Nito d’Abreu também veio de baixo”.

Cá em baixo, em relação ao palco, momentos antes, uma popular, com um dos filhos pequeno seguro nas costas por um pano, dizia à Lusa, num lamento, que tinha de acordar todos os dias “às três horas da madrugada” para trazer a água necessária para cozinhar, para a higiene pessoal e para lavar alguma roupa.

Outra, lembra também outras dificuldades, das estradas degradadas aos apagões de energia. As duas concordam na explicação do voto: “Nito é boa pessoa” e “foi escolhido pelo Patrice [Trovoada]”, o líder da ADI e o primeiro-ministro que o atual Presidente e recandidato, Carlos Vila Nova, exonerou no ano passado.

Ainda no palco do camião, o candidato Nito d’Abreu, que não ouviu as duas mulheres, mas que promete escutar e andar no meio do povo, ressalva: “não prometo milagres, mas temos de dar os primeiros passos”.

O também líder parlamentar da ADI lamenta que São Tome e Príncipe “não tem nenhum plano de governação”, mas assegura que isso vai mudar quando for eleito no próximo domingo.

O candidato, “jovem, firme e verdadeiro”, como o próprio se define nos cartazes e no slogan impresso nas t-shirts, despede-se, entrega-se ao povo que rodeia o camião, sem antes recordar que passaram 51 anos de independência, assinalados este domingo, e que há muito por fazer naquele que é o segundo país mais pequeno de África, deixando a pergunta: “Vamos continuar assim mais cinco anos ou fazer diferente?”.

O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho: Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D’Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que se recandidata ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.

*** João Carreira (texto) e Nuno Veiga (fotos), da agência Lusa ***

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