São Tomé/Eleições: “Não fiz muito, mas já se sente a diferença” – PM e líder da ADI

São Tomé, 22 set 2026 (Lusa) — Primeiro-ministro são-tomense há menos de dois anos e presidente da ADI há um par de meses, Américo Ramos admitiu hoje que não fez muito, mas que a população já sente a diferença nos bolsos.

Em Conde, no distrito de Lobata, num comício curto de encerramento da campanha para as eleições gerais de domingo, Ramos começou por se apresentar como “o novo líder da ADI [Ação Democrática Independente] e rapidamente vestiu a pele de governante: “Até dia 27 sou primeiro-ministro, no poder há um ano de oito meses. Não fiz muita coisa, mas fiz coisas visíveis e a população sabe”.

Em menos de cinco minutos, elencou o trabalho feito, sempre com a consciência de que “muito mais há por fazer”. Listou o fim dos “apagões” elétricos, quatro descidas nos preços dos combustíveis, o aumento de salários e de pensões.

“Está tudo feito?”, perguntou, para lançar a própria resposta: “Eu digo que não”, dando como exemplo o problema do acesso a água potável no país de 240 mil habitantes e cujo investimento público depende em cerca de 90% de parceiros externos.

O governante e líder partidário lembrou que não foge dos problemas e que hoje há resultados a apresentar, apesar do curto mandato enquanto primeiro-ministro. E, por isso, sublinhou, pede um voto de confiança “no maior partido” de São Tomé e Príncipe, a formação política “que faz as coisas acontecerem”.

A ADI tem vivido momentos atribulados. O líder histórico Patrice Trovoada foi destituído do cargo de primeiro-ministro em janeiro de 2025 pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, por deslealdade institucional. E depois foi afastado da liderança do partido, autoproclamada precisamente por Américo Ramos em junho e confirmada no final de julho, judicialmente. Após as presidenciais, Trovoada apelou aos militantes da ADI que não fossem votar nestas legislativas de setembro.

Hoje, Ramos criticou o apelo de Trovoada, recordou que o voto “é um direito constitucional” e que “ninguém deve ficar em casa”, se não arrisca-se a que outros decidam por si.

Às eleições legislativas, autárquicas e regionais de 27 de setembro em São Tomé e Príncipe concorrem quatro partidos com assento parlamentar: Ação Democrática Independente (ADI); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP); a coligação Movimento de Cidadão Independentes-Partido Socialista/Partido de Unidade Nacional (MCI-PS/PUN); e o Movimento Basta.

Outros três partidos sem assento parlamentar vão a votos: o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.

Para as legislativas estão em disputa 55 assentos da Assembleia Nacional e estão inscritos mais de 146 mil eleitores, um aumento de quase quatro mil em relação às eleições presidenciais de 19 de julho, quando foi reeleito Carlos Vila Nova, à primeira volta.

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