São Tomé/Eleições: Líder do MLSTP diz que “é agora ou nunca” e que o povo tem de escolher a paz

São Tomé, 25 set 2026 (Lusa) — O presidente do MLSTP mostrou-se hoje confiante que será o próximo primeiro-ministro são-tomense e que esta é a oportunidade do maior partido da oposição vencer as legislativas 24 anos depois, pelo que “é agora ou nunca”.

Em declarações à Lusa, no último dia da campanha das eleições legislativas, locais e regional de domingo, o líder do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) pediu aos eleitores um voto de confiança, lembrando que o partido já provou no passado, com ações, que “é pela estabilidade e pela paz social”.

Américo Barros sustentou que só existem dois caminhos, o da instabilidade e o do MLSTP, que é a via “da justiça, da paz e da estabilidade”, sublinhando que ainda nas eleições de julho, o partido apelou ao voto na reeleição do Presidente da República, apesar do passado de Carlos Vila Nova ligado à Ação Democrática Independente (ADI), sempre para privilegiar “a paz social e política”.

Apresentado nas ações de campanha como “o novo primeiro-ministro”, o presidente do MLSTP aproveitou as últimas horas de campanha eleitoral para reforçar promessas junto da população no distrito de Água Grande, o mais populoso do país e onde se situa a capital.

Américo Barros prometeu um polidesportivo em São Marçal, cartas de condução gratuitas para os mototaxistas em Riboque, subsídios para mães carenciadas e ajuda a 25 mil famílias vulneráveis perto do politécnico, onde reiterou que a frequência universitária passará a ser gratuita.

Américo Barros quer garantir uma maioria absoluta nas legislativas de domingo, mas admite avançar para uma coligação pós-eleitoral.

O líder do MLSTP tem apelado ao voto útil, não só para combater a abstenção, que atingiu um valor recorde nas presidenciais de julho (58,81%), mas também para explorar eventuais divisões no partido do poder, a ADI, e na coligação Movimento de Cidadão Independentes/Partido de Unidade Nacional (MCI/PUN).

No caso da ADI, o líder histórico Patrice Trovoada, após ser destituído de chefe do Governo, foi afastado da liderança, assumida agora pelo atual primeiro-ministro, Américo Ramos, que também vai a votos. Após as presidenciais, Trovoada apelou aos militantes da ADI que não fossem votar. Já a coligação MCI-PUN foi impedida de concorrer em alguns círculos eleitorais pelo Tribunal Constitucional.

O presidente do MLSTP defende que o desejo de conquistar uma maioria absoluta serve para “assegurar a estabilidade política e investimento estrangeiro” e que, para isso, são necessárias reformas que garantam uma pacificação política, a separação de poderes e uma Justiça funcional e imparcial.

Às eleições legislativas, autárquicas e regionais de 27 de setembro em São Tomé e Príncipe concorrem quatro partidos com assento parlamentar: Ação Democrática Independente (ADI); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP); a coligação Movimento de Cidadão Independentes/Partido de Unidade Nacional (MCI-PUN); e o Movimento Basta.

Outros três partidos sem assento parlamentar vão a votos: o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.

Para as legislativas estão em disputa 55 assentos da Assembleia Nacional e estão inscritos mais de 146 mil eleitores, um aumento de quase quatro mil em relação às eleições presidenciais de 19 de julho, quando foi reeleito Carlos Vila Nova, à primeira volta.

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