
São Tomé, 12 ago 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro são-tomense considerou hoje que o apelo do seu antecessor à abstenção nas legislativas e autárquicas de setembro não é uma boa estratégia, defendendo uma mobilização polÃtica e social para se garantir uma maior participação.Â
“Um apelo à abstenção nas próximas eleições não é uma boa estratégia para um polÃtico, uma vez que votar é um dever cÃvico. Daà que penso que a população são-tomense sabe o que quer, estamos num paÃs democrático há mais de 30 anos, boicote à s eleições e com abstenção penso que não é uma boa estratégia”, afirmou Américo Ramos.
O chefe do Governo são-tomense que é também presidente da Ação Democrática Independente (ADI) defendeu que a classe polÃtica e a sociedade civil devem “fazer todos os esforços necessários para diminuir o número da abstenção, uma vez que esse é o momento de escolher os dirigentes para os próximos quatro anos”.
O ex-primeiro-ministro são-tomense Patrice Trovoada apelou hoje à militância da ADI para não votar nas eleições legislativas e autárquicas de setembro, como protesto por considerar que foi afastado da liderança do partido e de concorrer à s eleições por “manobras polÃticas mafiosas, encobertas por decisões judiciais”.
“A posição da ADI que aqui eu quero deixar bem claro, será de protestar contra esse atentado aos nossos direitos, a esta proibição efetiva de escolher quem nós queremos para nos representar, não indo votar, não saindo de casa para votar nas eleições legislativas e autárquicas”, disse Patrice Trovoada, num vÃdeo publicado no Facebook.
Quanto à eleição para a escolha do Governo da Região Autónoma do PrÃncipe, que decorrerá no mesmo dia, Patrice Trovoada disse que a sua liderança decidiu “conceder a liberdade de voto a todos os militantes”.
Durante a comunicação, o polÃtico são-tomense que foi quatro vezes primeiro-ministro do arquipélago e o único a vencer duas eleições com maioria absoluta, justificou o apelo à abstenção por considerar que o poder instalado não tem permitido a participação da “verdadeira e legÃtima ADI nas próximas eleições legislativas”.
No mês passado, dois dias após o anúncio da derrota do candidato apoiado por Patrice Trovoada nas eleições presidenciais de 19 de julho, o Tribunal Constitucional (TC) divulgou um acórdão, no qual reconheceu o atual primeiro-ministro, Américo Ramos, como presidente da ADI, na sequência do congresso realizado em 27 de junho, impugnado pela ala do partido fiel a Patrice Trovoada.
Após a decisão do TC, Patrice Trovoada, demitido da chefia do Governo em janeiro de 2025, pelo atual Presidente da República reeleito, Carlos Vila Nova, abriu a porta a uma das promessas que fez em várias ocasiões anteriores, admitindo retirar-se da polÃtica.
LÃder da ADI há mais de duas décadas, Patrice Trovoada foi primeiro-ministro e chefe de vários governos de São Tomé e PrÃncipe, nomeadamente em 2008, 2010-2012, 2014-2018 e 2022-2025, além de ter exercido o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros.
Apoiou diretamente a eleição dos dois últimos Presidentes da República de São Tomé e PrÃncipe, nomeadamente Evaristo de Carvalho em 2016, e Carlos Vila Nova em 2021, com quem a relação se degradou, culminando com a demissão de Trovoada em 2025, com o Presidente a alegar deslealdade institucional e ausências prolongadas do paÃs.
A crise interna da ADI agudizou-se após Carlos Vila Nova ter rejeitado vários nomes propostos pelo partido para chefiar o Governo. Acabou por escolher para primeiro-ministro o ex-secretário-geral do partido Américo Ramos, contra a indicação da então direção da ADI.
Desde então, o partido demarcou-se do Governo, rompeu com os militantes que integraram o executivo e perdeu quase uma dezena de deputados do grupo parlamentar, que passaram a independentes.
São Tomé e PrÃncipe realizou eleições presidenciais em 19 de julho e tem agendadas legislativas, autárquicas e regional para 27 de setembro.
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