Rússia sem perspetivas de retomar o diálogo com a NATO

Moscovo, 01 jul 2026 (Lusa) — A Rússia afirmou hoje que, neste momento, não existem perspetivas de retomar o diálogo com a NATO, nem de normalizar as relações com a organização.

“Nestas circunstâncias, falar de perspetivas para retomar o diálogo e normalizar as relações é simplesmente impensável”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, numa conferência de imprensa.

A poucos dias da cimeira da Aliança Atlântica em Ancara, na Turquia, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo sublinhou que Moscovo não tem “planos agressivos” em relação à NATO.

“O Presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, têm reiterado repetidamente que a Rússia não tem planos agressivos contra os membros da NATO nem da União Europeia (UE)”, afirmou.

Zakharova acusou ainda a Aliança Atlântica de “continuar a avançar para uma maior escalada”.

Segundo a porta-voz, o Ocidente deve “reconsiderar as suas abordagens hostis” em relação à Rússia.

“Sem tudo isto, não se pode falar seriamente em normalizar as relações com a Aliança”, concluiu.

Na terça-feira, o Ministério da Defesa dos Países Baixos afirmou que a Rússia poderá lançar uma campanha militar limitada contra um país da NATO cerca de um ano depois do fim da guerra na Ucrânia.

A consideração estava contemplada no relatório anual apresentado por este ministério sobre a estratégia de defesa dos Países Baixos, país membro da UE e da Aliança Atlântica.

O Ministério da Defesa neerlandês afirmou que a Europa se encontra numa “zona cinzenta” entre a guerra e a paz, prometendo aumentar o investimento do país na defesa, particularmente em equipamentos que não necessitem de pilotos, como os drones.

“Os serviços de informações neerlandeses acreditam que a Rússia está a preparar-se para um confronto de longo prazo com a Europa”, indicou o relatório.

O alerta surge num momento em que os 32 membros da NATO estão a preparar a cimeira da organização em Ancara, agendada para os dias 07 e 08 de julho, na qual a ameaça russa será uma preocupação central.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou recentemente que a Rússia “poderá estar pronta para utilizar a força militar contra a NATO dentro de cinco anos”.

Em contagem decrescente para a cimeira, Rutte voltou hoje a sublinhar numa conferência de imprensa em Berlim a importância do apoio norte-americano à Ucrânia, apesar da suspensão das doações de armamento militar a Kiev este ano.

O líder da NATO destacou que “o fluxo de apoio fundamental dos Estados Unidos à Ucrânia continua”, embora este seja financiado pelos aliados europeus e pelo Canadá.

Rutte defendeu, como justo, que os aliados europeus e o Canadá adquiram equipamento militar aos Estados Unidos para o fornecer às forças ucranianas.

 

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