
Moscovo, 30 jul 2025 (Lusa) — A Rússia rejeitou hoje as acusações da Presidente moldava, Maia Sandu, de que Moscovo está a preparar uma “interferência sem precedentes” nas eleições legislativas de 28 de setembro na Moldova.
“Isso não corresponde à realidade, a Rússia não interfere nos assuntos internos de outros países”, afirmou o porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, na habitual conferência de imprensa telefónica diária, quando questionado sobre as declarações da líder moldava.
Peskov contrapôs e acusou as autoridades da Moldova de violarem os direitos eleitorais dos cidadãos moldavos que vivem fora do país.
“Lamentamos ver que os direitos eleitorais de muitos moldavos estão a ser restringidos e violados. Digam o que disserem de Chisinau, do nosso ponto de vista, é claro que os direitos dos moldavos que vivem noutros países, incluindo no território da Federação Russa, devem ser garantidos”, sublinhou Peskov.
Maia Sandu, que defende a adesão à União Europeia (UE) para reduzir a influência russa sobre o país, estimou hoje que o dinheiro de Moscovo para “financiar a corrupção eleitoral” ascende a “cerca de 100 milhões de euros”.
Por esta razão, a chefe de Estado convocou hoje com urgência o Conselho de Segurança da Moldova para discutir medidas de resposta à interferência eleitoral estrangeira.
“Esta informação é de grande importância para a segurança nacional e para a democracia. A ameaça à ordem pública e à segurança nacional é enorme e todas as instituições públicas, bem como a sociedade, devem compreender este perigo e unir-se em defesa”, explicou a Presidente.
Sandu já tinha acusado previamente a Rússia de estar a executar uma “guerra híbrida” contra o país que antigamente pertencia à União Soviética, acusando Moscovo de realizar ataques informáticos e campanhas de desinformação.
A Moldova apresentou a candidatura à UE em março de 2022 e em junho desse ano foi atribuído o estatuto de país candidato.
Em junho de 2024 foram iniciadas as negociações formais, que contemplam vários capítulos de conclusão obrigatória.
Com cerca de 2,5 milhões de habitantes, a Moldova situa-se entre a Roménia e a Ucrânia.
A região separatista moldava da Transnístria ganhou destaque após o início da guerra na Ucrânia (em fevereiro de 2022) devido aos laços com a Rússia e à sua importante posição geoestratégica.
A Rússia mantém um contingente de 1.500 soldados na Transnístria, cujos separatistas pró-Moscovo controlam o território desde a guerra civil na Moldova, em 1992.
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