
Moscovo, 16 jun 2020 (Lusa) — A Rússia prometeu hoje um firme apoio ao Irão contra as potências ocidentais e considerou “ilegais” e “ilegÃtimas” as tentativas dos EUA e do Conselho de Segurança da ONU de prolongar o embargo à venda de armas a Teerão, que expira em outubro.
Moscovo também se pronunciou sobre a crispação das relações entre o Irão e a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, ao considerar que “existem desenvolvimentos atuais em Viena [sede da AIEA] e ideias que os nossos amigos ocidentais deixam flutuar em Nova Iorque”, onde está sediado o Conselho de Segurança da ONU.
Durante uma conferência de imprensa conjunta e no inÃcio de conservações em Moscovo com o seu homólogo iraniano Mohammad Javad Zarif, o chefe da diplomacia do Kremlin referiu-se a uma “situação preocupante”, e assegurou que “nos oporemos firmemente a qualquer tentativa de utilizar esta situação para manipular o Conselho de Segurança e promover um programa anti-iraniano”.
Nas suas declarações e exprimindo-se em inglês, Lavrov também se insurgiu contra as pretensões ocidentais destinadas a “punir o Irão através de iniciativas ilegÃtimas e absolutamente ilegais”.
Por seu turno, Zarif afirmou que o acordo nuclear de 2015 assinado com o Irão regista “perigosos desenvolvimentos”, e quando já se encontrava em desintegração na sequência da retirada dos Estados Unidos em 2018.
A AIEA está reunida desde segunda-feira em Viena para debater, entre outros assuntos, uma proposta de resolução dirigida à República Islâmica, submetida pela Alemanha, França e Reino Unido.
O texto pretender recordar ao paÃs as suas obrigações de cooperação com este organismo de monitorização e quando Teerão recusa desde há vários meses o acesso a dois locais suspeitos de terem promovido no passado atividades nucleares não declaradas. Este desacordo tem aumentado as preocupações sobre o futuro do acordo nuclear de 2015.
“Não permitiremos que a AIEA se torne num instrumento nefasto para quem pretende destruir o Acordo nuclear de 2015 e para os que se opõem à s organizações internacionais”, declarou Zarif após o encontro, acrescentando que o Irão coopera de “forma transparente” com a AIEA.
Lavrov também frisou que “mesmo que a administração americana considere mau este acordo, não tem o direito de punir o Irão”, e antes de acusar os Estados Unidos de “manipularem” o Conselho de Segurança da ONU.
“Faremos tudo para que ninguém consiga destruir estes acordos”, acrescentou Lavrov na conferência de imprensa.
No final de maio passado os Estados Unidos puseram termo à s derrogações que autorizavam projetos nucleares civis iranianos, o último vestÃgio do acordo nuclear. O Irão, asfixiado pelas sanções ocidentais, já ripostou após a retirada dos EUA do Acordo, ao renunciar a diversos dos seus compromissos.
Em paralelo, Lavrov também denunciou as tentativas dos EUA no Conselho de Segurança de prolongar o embargo à s armas contra o Irão, que termina em outubro próximo, considerando-a uma estratégia “inútil”, numa alusão ao facto de a Rússia e a China possuÃrem direito de veto no Conselho e se oporem à extensão do embargo.
Lavrov enviou uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres para sublinhar, entre outras questões, a ausência de uma base para discutir o prolongamento do embargo às armas contra o Irão no Conselho de Segurança, algo que Zarif agradeceu hoje.
O chefe da diplomacia russa explicou que ainda não recebeu uma resposta de Guterres, nem da presidência do Conselho de Segurança, a quem também enviou o mesmo documento de cinco páginas que inclui “uma reflexão importante” sobre esta questão.
PCR // ANP
Lusa/Fim



