
Moscovo, 17 jun 2022 (Lusa) – A diplomacia russa acusou hoje a União Europeia (UE) de manipular a Ucrânia com a perspetiva de adesão ao bloco comunitário, após a decisão da Comissão Europeia (CE) de recomendar a concessão do estatuto de candidato a Kiev.
“Durante anos, a comunidade ocidental tem manipulando essa história do envolvimento da Ucrânia nas suas estruturas de integração e, desde então, a situação da Ucrânia está cada vez pior”, disse a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, à s agências de notÃcias locais.
“[A Ucrânia] não terá um futuro brilhante” dentro da UE, disse a porta-voz, descrevendo as garantias europeias à Ucrânia como “uma mensagem falsa que, na prática, não traz nada de bom”.
A Comissão Europeia recomendou hoje ao Conselho que seja concedido à Ucrânia o estatuto de paÃs candidato à adesão à União Europeia, emitindo parecer semelhante para a Moldova, enquanto para a Geórgia entende serem necessários mais passos.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de mais de 15 milhões de pessoas de suas casas — mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para os paÃses vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.
A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.
A ONU confirmou que 4.509 civis morreram e 5.585 ficaram feridos na guerra, que hoje entrou no seu 114.º dia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.
CSR(ANC) // PDF
Lusa/Fim



