
(CORREÇÃO)Amadora, Lisboa, 24 fev 2025 (Lusa) – O lÃder da IL acusou hoje o Chega de “desespero total” ao admitir propor uma comissão de inquérito à empresa Spinumviva, detida pela mulher e filhos do primeiro-ministro, apesar de considerar que este deve dar mais explicações.
Em declarações aos jornalistas após se ter reunido com o conselho de administração cessante do Hospital Amadora-Sintra, em Lisboa, Rui Rocha foi questionado sobre o facto de o lÃder do Chega, André Ventura, ter admitido avançar com uma comissão parlamentar de inquérito à empresa detida pela mulher e filhos de LuÃs Montenegro, caso o primeiro-ministro não esclareça um conjunto de questões.
“É o desespero total. (…) Lançar, de forma indiscriminada, mão de todos os instrumentos – dos que não se aplicam, dos que não fazem sentido, dos que vão muito para lá daquilo que é razoável – é o desespero total do Chega”, respondeu o lÃder da IL.
Rui Rocha considerou que André Ventura está a recorrer a esses instrumentos parlamentares “para desviar atenções dos enormes problemas que o Chega tem enfrentado devido à s pessoas que estão, quer na sua bancada, quer nos diferentes órgãos e posições que o Chega tem no paÃs”.
No entanto, apesar destas crÃticas a uma eventual proposta para a constituição de uma comissão de inquérito, o lÃder da IL considerou que o primeiro-ministro tem de dar mais explicações sobre a empresa, defendendo que toda esta situação “representa um cartão amarelo a LuÃs Montenegro” e pode traduzir-se em conflito de interesses.
“Vamos imaginar que um dos clientes dessa empresa – que só existe porque LuÃs Montenegro estava à frente dela, não vamos dizer o contrário – é uma empresa de armamento. Nos dias que correm, isso é possÃvel. É aceitável que a empresa familiar do primeiro-ministro preste serviço a empresas de armamento e que depois o Governo português tenha de decidir em matéria de defesa?”, perguntou.
O lÃder da IL acrescentou ainda que, do que tem sido divulgado, a Solverde é um dos clientes da empresa de Montenegro, frisando que isso poderá também criar uma situação de conflito de interesses para o Governo, tendo em conta que a Solverde “vai ser provavelmente candidata à renovação da concessão do jogo” de casino.
Rocha defendeu que Montenegro deve dar explicações não só sobre a atividade da Spinumviva entre 2021 e 2023, quando ainda não era primeiro-ministro, mas sobretudo sobre 2024 e 2025, quando já liderava o Governo e a empresa continuou com a atividade.
Interrogado se a IL admite avançar com alguma iniciativa para obter esses esclarecimentos adicionais, Rui Rocha disse que o partido poderá enviar perguntas ao Governo, à semelhança do que já fizeram outras forças polÃticas, e inclusive questionar Montenegro sobre a matéria no próximo debate quinzenal, mas não irá transformar a questão num “circo polÃtico”.
“O Chega faz o que faz sempre: barulho e não contribui para a solução”, acusou.
Nestas declarações aos jornalistas, Rocha foi ainda questionado sobre a postura que Portugal deve adotar relativamente à guerra na Ucrânia, num dia em que se assinalam três anos desde o inÃcio do conflito, tendo defendido que a União Europeia (UE) deve continuar a impor sanções à Rússia e Portugal deve estar disposto a contribuir mais em termos de investimento em defesa.
Já interrogado se considera que Portugal deve estar disponÃvel para enviar forças de manutenção da paz para a Ucrânia, como o Reino Unido e a França, Rui Rocha disse que o paÃs já tem forças destacadas em vários pontos do mundo e “não há nenhuma razão” para que também não tenha na Ucrânia, desde que isso não implique o regresso do serviço militar.
“Não faz sentido nenhum, é uma perda de recursos, é também um problema para os jovens e não resolve nenhum problema. Hoje em dia, os teatros de guerra são extremamente especializados, não é o serviço militar obrigatório que prepararia alguém para estar num teatro de operações como este”, disse.
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