
Budapeste, 16 fev 2026 (Lusa) – O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, expressou hoje em Budapeste o apoio de Washington ao primeiro-ministro ultranacionalista húngaro, Viktor Orbán, nas próximas eleições legislativas na Hungria, agendadas para 12 de abril.
“Não é segredo como o Presidente [Donald Trump] o vê”, afirmou Rubio à imprensa, após um encontro com Orbán na residência oficial do primeiro-ministro húngaro.
“Acho que posso afirmar com segurança que o Presidente Trump está muito comprometido com o seu sucesso, pois o seu sucesso é o nosso sucesso”, acrescentou o chefe da diplomacia norte-americana ao lado de Orbán, que tem surgido atrás do seu principal opositor, o líder do partido Tisza Péter Magyar, nas mais recentes sondagens.
Por seu lado, Orbán afirmou que não há “nenhuma razão para temer o que acontecerá na Hungria” após as eleições.
“O Governo será formado com base na vontade do povo húngaro”, adiantou.
“Às vezes perco, às vezes ganho”, lembrou o líder, que voltou ao poder em 2010, acrescentando ainda: “Portanto, não tenham medo do que acontecerá se não ganharmos, porque isso acontece regularmente”.
Donald Trump já demonstrou em diversas ocasião a sua simpatia pelo aliado nacionalista húngaro, uma figura política que descreve como “um homem forte e poderoso” e com “capacidade comprovada para produzir resultados fenomenais”.
Viktor Orbán, 62 anos, enfrenta o desafio mais difícil desde o seu regresso ao poder, com o seu partido Fidesz a ser ultrapassado pela oposição nas sondagens.
Num discurso no sábado, Orbán comprometeu-se a continuar a sua ofensiva contra as “pseudo-organizações civis, jornalistas, juízes e políticos comprados”, uma narrativa não muito diferente da linha de pensamento do Presidente norte-americano.
O primeiro-ministro húngaro é acusado de silenciar as vozes críticas da magistratura, do mundo académico, dos meios de comunicação social e da sociedade civil, e de restringir os direitos das minorias.
De todos os líderes europeus, Orbán é o que possui relações mais próximas com o Presidente russo, Vladimir Putin.
Nas mesmas declarações em Budapeste, Rubio concordou com Orbán ao afirmar que as relações entre os dois países vivem uma “era de ouro”.
Orbán foi o único líder de um país-membro da União Europeia (UE) que, já em 2016, apoiou a campanha eleitoral de Trump, e ambos sempre falaram muito positivamente um do outro, além de mostrarem grande sintonia com as suas políticas nacionalistas e contra a imigração.
Antes do seu encontro com Orbán, Rubio e o seu homólogo húngaro, Péter Szijjártó, assinaram um acordo de cooperação nuclear bilateral, que o ministro húngaro classificou como “de grande importância” do ponto de vista do preço da energia no país da Europa Central.
Após a Conferência de Segurança de Munique, que decorreu no fim de semana, Rubio visitou os dois primeiros-ministros da UE mais próximos de Moscovo, o eslovaco Robert Fico e Orbán, cujos países continuam a comprar petróleo da Rússia, argumentando que não têm outra opção, uma vez que não têm fronteiras marítimas.
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