Rubio afirma que nenhum outro país quer portagens para Orrnuz

Washington, 24 jun 2026 (Lusa) – O secretário de Estado norte-americano afirmou hoje que nenhum outro país além do Irão defende portagens no estreito de Ormuz, comprometendo-se com “um alinhamento total” com os aliados do Golfo Pérsico nas negociações com Teerão.

Em conferência de imprensa durante uma visita ao Kuweit, Marco Rubio sublinhou que “o mundo inteiro opõe-se”, incluindo os países da região, à cobrança de portagens ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz, que esteve sob ameaça militar das forças iranianas durante a guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.

“É tão simples quanto isso. O Presidente [norte-americano, Donald Trump] já disse: isso não vai acontecer. Se não cumprirem estes compromissos, o Presidente tem muitas opções à sua disposição”, declarou o chefe da diplomacia de Washington, apontando a possibilidade de suspender o levantamento de sanções a Irão.

O secretário de Estado comprometeu-se com “um alinhamento total” com os aliados de Washington do Golfo nas negociações de paz com o Irão, indicando que está prevista uma reunião técnica para 29 ou 30 de junho na Suíça.

Ao abrigo do memorando de entendimento, alcançado na semana passada pelos Estados Unidos e Irão e que suspendeu as hostilidades, as partes têm 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo, incluindo o futuro do estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do comércio mundial de produtos petrolíferos antes da guerra.

Durante a conferência de imprensa, Marco Rubio disse que os EUA não farão “nada que prejudique a segurança” dos aliados na região, com os quais destacou ter mantido “conversas muito francas e honestas” ao longo desta jornada diplomática, iniciada nos Emirados Árabes Unidos e que se prolonga no Kuwait e Bahrein, onde tem prevista na quinta-feira uma reunião com os países do Conselho de Cooperação do Golfo.

O governante norte-americano explicou que o motivo da viagem a estes países do Golfo é “agradecer o incrível apoio” dado a Washington e, sobretudo, “envolvê-los nas discussões sobre todas as decisões tomadas em relação a esta negociação” com a parte iraniana.

Rubio evitou esclarecer se o Irão vai prestar alguma garantia relativamente aos limites das suas capacidades de mísseis ou drones, um tema omisso no memorando assinado na semana passada por Donald Trump e pelo homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.

“Não percebi qualquer dúvida sobre as nossas garantias de segurança, porque são reais”, declarou a propósito da defesa dos países do Golfo, que foram alvo de ataques aéreos iranianos ao longo do conflito.

O secretário norte-americano manifestou confiança de que os representantes iranianos “honrarão os compromissos que assumiram” na primeira ronda de negociações na Suíça, depois de o Irão ter anunciado a reposição do bloqueio no estreito de Ormuz, devido à continuação dos ataques de Israel no Líbano, país abrangido pelo cessar-fogo por exigência de Teerão.

A navegação comercial continuou porém a transitar no estreito de Ormuz, apesar de as negociações de paz estarem ameaçadas pelo conflito entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, aliado da República Islâmica.

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