
Porto, 03 abr 2026 (Lusa) — A quarta edição da Rota das Árvores do Porto arranca no dia 18 para oito sábados de exploração do património arbóreo da cidade, com passagens por jardins e quintas que incluem algumas das 228 árvores classificadas na cidade.
Em comunicado hoje divulgado, a Câmara do Porto dá conta do programa da rota, dinamizada pelo município no âmbito do projeto FUN Porto — Florestas Urbanas Nativas no Porto, e da Futuro — 100 Mil Árvores na Área Metropolitana do Porto.
As visitas, conduzidas por especialistas, permitem aos participantes descobrir “as espécies mais emblemáticas, curiosidades botânicas” e também a história de alguns dos jardins e espaços verdes mais visitados.
“Uma oportunidade única para conhecer de perto núcleos arbóreos de elevado valor e compreender o passado, presente e futuro destes espaços que moldam a identidade do Porto”, pode ler-se na nota.
A primeira paragem é dia 18, com uma caminhada que arranca nos Jardins do Palácio de Cristal, passando pela Quinta da Macieirinha e a Casa Tait, no qual os visitantes cruzam os jardins da primeira “Expo” do país, em 1865, passam pelos terrenos de “um rei exilado” e acabam num jardim “muito britânico”, na Casa Tait, que alberga camélias, tulipeiros-da-Virgínia e uma magnólia de flores grandes.
Um mês depois, no dia 16 de maio, o percurso arranca “na casa da sobrinha de Aurélia de Sousa”, uma habitação que esconde “um lago e um jardim de árvores de papel”, e da residência de Marta Ortigão seguem para a feira, a Praça Mouzinho da Silveira, e acabam no cemitério romântico de Agramonte.
Depois, à medida que o ano avança, seguem-se outras geografias na cidade, do Passeio Alegre à Asprela, da Cordoaria a São Roque, para “desenhar um mapa alternativo da cidade feito de sombra, raiz e memória”.
O objetivo com as rotas é propor “uma mudança de olhar: reconhecer as árvores como testemunhas vivas, como património e como protagonistas discretas do espaço urbano”.
Ao todo, há 228 árvores ou conjuntos arbóreos classificadas como Interesse Público no concelho, segundo um levantamento de 2020, entre árvores isoladas, maciço e alameda, entre palmeiras, araucárias, tulipeiros, metrosíderos, teixos, plátanos e outras espécies.
Entre espécimes centenários, de grande porte, raros para o contexto da cidade ou historicamente relevantes, estas árvores distinguem-se das demais e recebem estatuto similar ao do património edificado.
É o caso das palmeiras-de-leque da Califórnia que se encontram na Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista) e as palmeiras-de-leque do México, no Palácio de Cristal, conjuntos com mais de 100 anos, ou o metrosídero que lembra os tempos áureos dos jardins do palácio, junto à Biblioteca Municipal Almeida Garrett, que a câmara considera “o exemplar da espécie com maior expressão individual na cidade”.
Na Casa Tait, também conhecida por Quinta do Meio, residiram várias famílias inglesas até à chegada de William Tait, em 22 de abril de 1900, e o seu jardim acolhe rosas e camélias, um ‘liriodendron tulipifera’ considerado de interesse público desde 1950 e uma magnólia de flores grandes, com 22 metros de altura.
Na Casa da Macieirinha, em que viveu isolado, a partir de 1849, o rei Carlos Alberto, de Piemonte-Sardenha, é um jardim formal de buxo e rosas que se destaca, a par das camélias no terraço nascente.
Citada em comunicado, a vice-presidente da Câmara do Porto, Catarina Araújo, considerou que há “cidades que se descobrem árvore a árvore”, propondo-se aqui “uma aproximação concreta e sensível à natureza urbana, valorizando o património arbóreo como elemento central da qualidade de vida”.
Para 2027 está já programada a continuação desta edição, de janeiro a abril.
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