
Lisboa, 17 dez 2024 (Lusa) — O lÃder da IL desafiou hoje Mário Centeno a seguir os passos do chefe da Marinha, que vai passar à reserva, e sair do Banco de Portugal para “tratar da sua candidatura” presidencial sem usar meios públicos para isso.
Em declarações aos jornalistas no parlamento, Rui Rocha referiu-se à intenção do almirante Gouveia Melo de “passar à reserva de forma antecipada relativamente ao calendário previsto”.
“Eu quero dizer que é uma boa decisão, é uma decisão que evidencia que até para o próprio almirante Gouveia e Melo a utilização abusiva dos meios da Armada era já insustentável e com base nessa questão queria fazer um desafio a Mário Centeno”, defendeu.
O desafio do lÃder da IL a Mário Centeno é para que este “siga os passos” do almirante Gouveia e Melo e que “apresente também a intenção de se candidatar, publicamente, saindo do Banco de Portugal” para não continuar “a utilizar os meios públicos, os meios do Banco de Portugal, para promover a sua candidatura”.
“Fica, portanto, o desafio a Mário Centeno. Antes que apareça alguma imagem de D. João II nalguma publicação do Banco de Portugal. É esse o desafio que quero fazer ao governador do Banco de Portugal, que saia e saia já para poder tratar da sua candidatura e que não use meios públicos para o efeito”, insistiu.
Mário Centeno tem sido um dos nomes na área do PS apontados com possÃvel candidato à s presidenciais de 2026.
Num conferência da CNN no final de novembro, Mário Centeno foi questionado pelo jornalista inglês Richard Quest sobre uma eventual candidatura a Belém.
“Mudanças acontecem. Algumas vezes não são esperadas, outras vezes não são esperadas. Mudanças aconteceram na minha vida nos últimos 10 anos. Algumas delas foram inesperadas. Eu não temo a mudança”, respondeu o governador do Banco de Portugal.
Clarificando que neste momento está “realmente focado” no seu trabalho como governador, Centeno lembrou a Quest que já o entrevistou como ministro das Finanças, como presidente do Eurogrupo e como governador”.
“As minhas respostas foram sempre as mesmas e eu estou sempre focado no que estou a fazer no momento. É uma boa pergunta, mas a minha resposta é a mesma”, disse apenas.
O chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Henrique Gouveia e Melo, prometeu hoje “nunca mais falar da Marinha” após terminar este mês 45 anos de funções militares e passar a uma “nova fase” da sua vida.
“É altura de fechar um capÃtulo da minha vida e começar outro. Eu há 45 anos que sou militar. É a altura de deixar a Marinha em mãos mais jovens, mais capazes de continuar um futuro que é um futuro que todos nós desejamos”, afirmou o chefe militar da Marinha, que falava aos jornalistas à margem de uma cerimónia nas instalações centrais do ramo, em Lisboa.
Gouveia e Melo vai passar à reserva logo após o término do seu mandato, em 27 de dezembro, considerando que “não faz sentido, depois de sair da Marinha, continuar com uma sombra relativamente à Marinha”.
O nome de Henrique Gouveia e Melo tem surgido como um dos potenciais candidatos às eleições presidenciais de janeiro de 2026.
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