
Harare, 07 set (Lusa) — O ex-presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, disse hoje que aceita a vitória eleitoral de Emmerson Mnangagwa apesar de ter afirmado, antes das presidenciais, que não ia votar no candidato da ZANU/PF.
“É indiscutÃvel e é evidente: o que estava em disputa resolveu-se com os resultados das eleições. Aceitamos os resultados e esperamos que se continue a respeitar a vontade do povo” disse Mugabe, 94 anos, em declarações registadas pelo jornal estatal Chronical após as cerimónias fúnebres da sogra do ex-presidente.
Mugabe foi afastado do poder em novembro de 2017 após um golpe militar desencadeado pela destituição de Mnangagwa do cargo de vice-presidente.
Pouco antes das eleições presidenciais, Robert Mugabe, afirmou que não votaria “naqueles que o tinham atormentado”.
Analistas locais especulam sobre a possibilidade de Mugabe estar a tratar de proteger os interesses pessoais ao apoiar o resultado das eleições.
O ex-presidente recebe uma pensão avultada, viaja a expensas do Estado e mantém vários negócios no Zimbabué.
A mulher, Grace Mugabe, também demonstrou apoio ao atual chefe de Estado que lhe fretou um avião privado que a transportou de Singapura, onde se encontrava esta semana, para poder assistir ao funeral da mãe, no Zimbabué.
“O senhor Mnangagwa gosta de nós e sabe que nós também gostamos dele. Rezamos por ele porque é vontade de deus que ele seja o presidente do paÃs. Rezamos para que deus lhe dê sabedoria para liderar o paÃs”, disse Grace Mugabe.
“O presidente Mnangagwa fretou um avião. Apenas tivemos que fazer um telefonema. Era um avião lindo, um Gulfstream 650 novo. Mnangagwa consolou-me. Se a minha mãe teve de morrer para retomarmos a nossa antiga amizade, que assim seja”, acrescentou Grace Mugabe.
As declarações do antigo casal presidencial constituem uma mudança em relação à s últimas afirmações públicas em que demonstraram falta de acordo como que consideram ter sido “um golpe de Estado”.
De acordo com a imprensa local, em 2017 Mugabe destituiu Mnangagwa do cargo de vice-presidente por pressão de uma fação do partido no poder desde 1980 (ZANU/PF) que apoiava os planos de Grace Mugabe que pretendia alcançar o poder após a morte do marido, uma versão que tem sido negada por Robert Mugabe.
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