
Lisboa, 11 abr (Lusa) – A consultora de risco polÃtico AON considerou hoje que o risco de um conflito envolvendo as maiores potências mundiais com implicações para várias regiões está no ponto mais elevado desde o fim da Guerra Fria.
“Apesar de a agitação civil e o terrorismo dominarem os ‘ratings’ para a maioria dos paÃses, a probabilidade de um conflito interestatal envolvendo grandes potências chegou, em nossa opinião, ao ponto mais elevado desde o fim da Guerra Fria”, escrevem os analistas no relatório sobre o Mapa de Risco PolÃtico 2018.
No relatório elaborado pela consultora de risco polÃtico AON, em parceira com a RiskAdvisory e a Continuum Economics, liderada pelo economista Nouriel Roubini, os analistas explicam que “a crescente competição geopolÃtica e um défice de liderança na diplomacia internacional contribuem para sustentar ou aumentar os riscos de conflito armado”.
Isto, acrescentam, “significa que os paÃses mais vulneráveis ficam num risco maior de violência interna e estão mais expostos à instabilidade que emana de conflitos externos”, não apenas nos tradicionais mercados emergentes ou em desenvolvimento, mas também nas economias desenvolvidas.
“A nossa análise mostra um aumento dos riscos estratégicos devido à deterioração da governação em regiões que já estão em dificuldades e revela também uma perspetiva mais combativa por parte dos governos face ao risco”, afirmam os analistas, notando que “os governos populistas aumentaram o potencial para a dissidência interna, bem como para o conflito transfronteiriço, resultando em eventos violentos que afetam áreas mais vastas”.
A análise que a AON fez a quase 200 paÃses a nÃvel mundial conclui que o risco de violência polÃtica aumentou pelo terceiro ano consecutivo, com 17 paÃses a receberem uma avaliação pior do que a do ano passado e apenas seis a melhorarem o ‘rating’.
Entre os paÃses analisados, 40% estão expostos a riscos de terrorismo e sabotagem, enquanto 60% estão expostos a ataques, motins e riscos de agitação civil, e um terço dos paÃses estão expostos a riscos de guerra civil, guerra transfronteiriça e risco de golpes de Estado.
Para esta análise, a AON utiliza seis indicadores, sendo o primeiro o risco de Violência PolÃtica, que analisa a possibilidade de haver ataques, motins, sabotagens, terrorismo, guerra, guerra civil ou um golpe de Estado, entre outros.
O risco de Transferência de Divisas refere-se ao risco de o paÃs ser incapaz de fazer pagamentos em moeda estrangeira devido à imposição de controlos sobre a moeda local.
O risco de Não Pagamento Soberano tem a ver com o risco de um governo, empresa pública ou uma entidade governamental não honrar as suas obrigações financeiras.
O risco de Interferência PolÃtica relaciona-se com a intervenção governamental na economia ou em outras áreas de polÃticas que afetem negativamente os interesses fora do paÃs, por exemplo nacionalizações ou expropriações.
As Perturbações à Cadeia de Distribuição revelam-se no risco de haver uma perturbação no fluxo de bens ou serviços do ou para o paÃs em resultado de instabilidade polÃtica, social, económica ou ambiental.
Por último, o Risco Regulatório ou Legal é o risco de perdas financeiras ou reputacionais em resultado de dificuldades no cumprimento das leis, regulamentos ou regras de determinado paÃs.
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