
Londres, 02 mai 2019 (Lusa) – A consultora Economist Intelligence Unit (EIU) considera que a revisão da previsão de crescimento de Angola, para 0,4% este ano, mostra “as contÃnuas fraquezas na economia” e alerta para o tempo que as reformas demoram a surtir efeito.
“O relatório sobre a Estratégia de Endividamento de Médio Prazo (2019-2021) demonstra as contÃnuas fraquezas na economia”, escrevem os peritos da unidade de análise da revista britânica The Economist, num comentário à s novas metas, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso.
O Governo “lançou reformas abrangentes para tornar Angola mais atrativa para os investidores privados internacionais, mas esses esforços demoram tempo até se transformarem num aumento dos fluxos de investimento”, alertam os analistas.
Para além de alertar para o elevado nÃvel de dÃvida pública, a EIU lembra que, em fevereiro, o Governo “indicou que estava a planear alterações ao orçamento, que tem um preço de referência do barril de petróleo nos 68 dólares”, enquanto os analistas da Economist estimam um valor de 66 dólares por barril este ano.
No princÃpio de abril o Ministério das Finanças de Angola estimou que a atividade económica ia crescer cerca de 3% nos próximos dois anos e confirmou a recessão de 2016 a 2018 devido à descida da produção de petróleo e menos atividade não petrolÃfera.
“Até 2018, o ciclo real de negócios da economia apresentou um comportamento recessivo, tendo registado para os anos de 2016, 2017 e 2018, taxas de crescimento negativas na ordem de 2,6%, 0,1% e 1,1%, respetivamente”, lê-se no relatório sobre a Estratégia de Endividamento de Médio Prazo (2019-2021), aprovado no fim de março em Conselho de Ministros e colocado no princÃpio de abril no site do Ministério das Finanças.
“Tal comportamento deveu-se aos baixos nÃveis de produção de petróleo e pela menor atividade económica do setor não petrolÃfero (efeito ‘spillover’)”, acrescenta o texto, que dá conta de uma previsão de crescimento económico de 0,4% este ano e de 3,2% para 2020 e 2021.
A previsão de uma recessão de 1,1% no ano passado é uma melhoria face ao valor que tinha sido apresentado em fevereiro pelo ministro da Economia e Planeamento angolano, Pedro LuÃs da Fonseca, que tinha alertado que o paÃs deve ter tido uma recessão de 1,7% no ano passado.
Relativamente ao crescimento económico, as previsões estão abaixo das estimativas do FMI, que antecipava já para este ano uma expansão da economia angolana na ordem dos 2,5%.
“Para o cenário de base, prevê-se o crescimento da economia a médio-prazo em cerca de 3%, dentre os quais, o setor petrolÃfero poderá apresentar uma taxa de crescimento de cerca de 1,7%, suportada pelo projetado aumento da produção petrolÃfera e o setor não petrolÃfero em cerca de 3,5%, justificando-se principalmente pela melhoria do ambiente de negócios que fomentará o investimento do setor privado na economia”, argumenta-se no relatório.
A inflação, que tem vindo a descer nos últimos trimestres, “poderá, até 2021, atingir os nÃveis de 7,9%, e a conta corrente manter-se-á deficitária, resultante principalmente do aumento das importações na balança comercial e do crescimento do pagamento de juros externos”, antecipa o Governo.
O documento hoje colocado no site do Ministério das Finanças de Angola explica que, no que diz respeito à gestão da dÃvida, “o executivo optou por uma estratégia de três anos que coincidirá com o programa de Apoio para a Consolidação Fiscal, EFF- Extended Fund Facility acordado com o FMI”.
Este programa “tem como objetivos reduzir as vulnerabilidades fiscais, fortalecer a sustentabilidade da dÃvida, reduzir a inflação, implementar um regime cambial flexÃvel, assegurar a estabilidade do setor financeiro e fortalecer o quadro de combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo (CBC/FT)”.
MBA // MAG
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