Retomado transporte ferroviário no centro de Moçambique quase dez dias após acidente

Maputo, 11 nov 2025 (Lusa) – A circulação ferroviária na linha de Sena, província moçambicana de Sofala, foi totalmente reposta hoje, quase dez dias depois do descarrilamento provocado pela vandalização da infraestrutura, investigada pela polícia, que suspeita de antigos trabalhadores.

O porta-voz da empresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Adélio Dias, confirmou à Lusa a retoma, esta manhã, do transporte de passageiros naquela linha, após acertos com as autoridades relativamente a questões de segurança, motivo que esteve na origem da suspensão daquele serviço logo após o descarrilamento, em 02 de novembro, o segundo caso do género em poucas semanas.

O transporte de passageiros, que se junta à retoma anterior da circulação do transporte de carga, está a ser retomado progressivamente.

A comandante provincial da Polícia da República de Moçambique em Sofala, Beatriz Tichala, garantiu em 05 de novembro que decorrem investigações para identificar os autores da vandalização da linha.

“As suspeitas recaem para os trabalhadores que, em algum momento, estão insatisfeitos com o patronato. [Os trabalhadores] que participaram na construção da linha férrea”, explicou a comandante provincial.

A empresa CFM explicou na altura que, neste último incidente, os indivíduos cortaram a linha e removeram os pandrois que servem para fixar a linha às travessas, danificando duas locomotivas e vários vagões no descarrilamento.

“O CFM condena e lamenta profundamente a atitude deste grupo de concidadãos, que visava atingir o comboio de passageiros”, refere-se num comunicado da empresa ferroviária estatal.

A rede ferroviária moçambicana divide-se em três zonas, sul, centro e norte, não conectadas diretamente, mas que por sua vez ligam a vários países vizinhos, como África do Sul, Essuatíni e Zimbabué.

Também a rede ferroviária sul dos CFM somou este ano prejuízos de dois milhões de dólares (1,6 milhões de euros) com roubos e vandalizações de infraestruturas, anunciou a empresa em setembro.

Em declarações aos jornalistas à margem do Fórum de Prevenção e Combate à Vandalização de Infraestruturas Públicas, Arnaldo Manjate, diretor de operações ferroviárias dos CFM-Sul, adiantou que, só este ano, foram roubados equipamentos e vandalizados aparelhos da linha férrea, incluindo de mudança de via, que custaram à empresa cerca de cinco milhões de meticais (66 mil euros), também devido ao arremesso de pedras contra as locomotivas.

Em 2024, os comboios do CFM transportaram 6.815.251 passageiros, no sistema centro e sul, quase meio milhão a mais do que o previsto pela empresa, segundo dados oficiais, e 3% acima do registo de 2023, segundo dados da empresa.

O Governo moçambicano avançou no final de abril que pretende investir quase 190 milhões de euros até 2030 na duplicação de linhas ferroviárias, aquisição de carruagens, locomotivas e vagões para reforçar a capacidade de transporte de passageiros e de mercadorias.

O executivo adiantou que quer investir o dinheiro na conclusão da duplicação dos restantes 25 quilómetros da linha férrea Ressano Garcia em Maputo, que liga Moçambique e África do Sul, e também na aquisição de mais de 30 carruagens, cujo objetivo é reforçar a capacidade de transporte de passageiros.

PVJ (LCE/SYCO) // JMC

Lusa/Fim