
Leiria, 09 fev 2026 (Lusa) — O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, disse hoje que se o impacto da depressão Kristin fosse na casa de quem governa o paÃs a resposta teria sido mais rápida, ao referir-se ao restabelecimento da energia elétrica.
“Ficamos com a clara sensação de que todo este esforço importante — e não ponho em causa os trabalhos que estão a ser feitos por todos os trabalhadores envolvidos – demonstra uma outra situação, é que, de facto, o paÃs pode ser solidário, o povo é solidário, mas continuam a existir muitas barreiras entre Lisboa e o resto do paÃs, porque, se isto tivesse acontecido na casa de quem nos governa, a resposta teria sido mais rápida e se calhar teria sido outra”, afirmou Gonçalo Lopes.
Numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações municipal, o autarca socialista considerou que o grau de empatia que se deve ter na polÃtica passa por colocar-se “no lugar de quem mais sofre e não deixar para trás aqueles que são os mais desfavorecidos, aqueles que vivem nas aldeias, as populações mais idosas””.
Assegurando ter “uma avaliação muito clara sobre as limitações e os meios empregues no terreno”, Gonçalo Lopes considerou, contudo, que a resiliência de uma empresa como a E-Redes, a principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão, “deveria ser maior e deviam ter sido acionados mecanismos de apoio mais cedo”.
“Uma empresa que tem responsabilidade de levar energia à casa das pessoas e à qual pagamos todos os meses na nossa fatura, com uma tarifa que é regulada por uma entidade própria, obrigava a outra capacidade de resposta”, declarou, lamentando que “a capacidade de resposta, a nÃvel nacional, tenha sido insuficiente e não tenham sido acionados os meios internacionais necessários para que este restabelecimento seja mais rápido”.
O presidente do municÃpio adiantou que havia 17.030 clientes sem eletricidade no concelho, “informação recolhida na plataforma” a que a autarquia tem acesso.
“Quando se fala de informação, não se fala só dos contadores que estão ativos”, sustentou, sublinhando haver mais “informação que é importante, nomeadamente a do planeamento, dos trabalhos executados, das prioridades”.
Nesse sentido, destacou que “a dimensão de transparência não se resume a um Excel”, assumindo ter “muitas dúvidas sobre essa informação”.
Antes, o autarca lamentou a morte, hoje, de um trabalhador da empresa Canas, ao serviço da E-Redes, em Leiria, apresentando as condolências à famÃlia e à empresa.
Sobre a vigÃlia, à s 20:00 de hoje, junto à Fonte Luminosa, o autarca explicou que pretende ser uma homenagem à s vÃtimas mortais decorrentes do mau tempo, a todos aqueles, incluindo voluntários, que se têm esforçado na limpeza e reconstrução, e uma ação de solidariedade para quem está há 13 dias privado de eletricidade.
No sábado, a Câmara e as 20 juntas de freguesia de Leiria criticaram “a falta de informação objetiva, atualizada e acessÃvel” da E-Redes.
Numa carta aberta dirigida ao presidente do conselho de administração da E-Redes e lida nesse dia pelo presidente do MunicÃpio de Leiria, Gonçalo Lopes, os subscritores reconheceram “o esforço técnico das equipas no terreno”, mas defenderam que, “num contexto de emergência, sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica”.
No dia seguinte, a E-Redes fez saber que iria remeter à s Câmaras municipais o número de clientes sem energia na sequência do mau tempo, mas os órgãos de comunicação social estão excluÃdos desta informação.
“Os números por concelho serão divulgados à s Câmaras Municipais assim que os tivermos”, declarou à agência Lusa fonte oficial da E-Redes.
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