
Paris, 28 abr 2026 (Lusa) – O Comandante Supremo Aliado para a Transformação da NATO instou os países da Aliança Atlântica a acelerarem medidas no quadro das novas tecnologias, especialmente da inteligência artificial.
Numa análise publicada hoje na revista francesa Le Grande Continent, o almirante francês Pierre Vandier defendeu novas medidas considerando que não há alternativas à mudança.
“A História não espera por organizações indecisas. Nunca dá avisos (…) Não há uma terceira via”, escreveu Vandier.
Para o responsável da NATO, a guerra deixou de ser um “fenómeno excecional” e transformou-se numa questão estrutural do sistema internacional.
Neste cenário, a inteligência artificial “condena” as organizações que são lentas, considerou.
A inteligência artificial “dá a quem aprende rapidamente uma vantagem exponencial sobre quem não aprende. Não é apenas mais uma ferramenta; é um teste ‘darwiniano’ de sobrevivência”, defendeu Vandier.
Segundo Vandier, a guerra moderna transcende a esfera estritamente militar e atinge todo o sistema que sustenta as sociedades.
Assim, as infraestruturas de energia, as redes de comunicação, as cadeias de abastecimento e a coesão social tornaram-se alvos prioritários para os adversários, eliminando a tradicional distinção militar entre a linha da frente e a retaguarda.
Perante este cenário, o almirante realçou a crescente importância do “fator tempo” nos conflitos contemporâneos, dado que a aceleração tecnológica, impulsionada sobretudo pela inteligência artificial, exige uma adaptação constante.
Neste contexto, a capacidade de aprender mais rapidamente do que o adversário tornou-se um elemento central de dissuasão, afirmou o almirante.
Para fazer face a este desafio, Vandier propôs uma transformação profunda assente em três pilares: aumentar o aproveitamento da experiência, desenvolvimento de ambientes de preparação mais exigentes e adoção de modelos de aplicação contínua inspirados no mundo digital.
No entender de Vandier, a NATO dispõe de recursos essenciais – na indústria e conhecimento -, mas alertou que estas “vantagens” só podem ser eficazes se a Aliança Atlântica for capaz de se adaptar ao ritmo imposto pela nova natureza da guerra e pelo avanço das tecnologias.
PSP // APN
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